Futebol internacional

Os adeptos da seleção espanhola entoaram cânticos contra muçulmanos. Logo eles que têm Lamine Yamal

O jogo entre Espanha e Egito terminou empatado a zero
O jogo entre Espanha e Egito terminou empatado a zero
David Ramos

Os adeptos espanhóis cantaram “quem não salta é muçulmano”. Os insultos eram dirigidos à seleção egípcia, adversária no jogo de preparação para o Mundial, mas não tiveram em conta a fé de Lamine Yamal. O jogador do Barcelona considerou a pândega “uma falta de respeito” protagonizada por “pessoas ignorantes e racistas”. O caso está a ser investigado pelas autoridades catalãs

“Sou muçulmano, alhamdulillah [graças a Deus]”, Lamine Yamal

Os aplausos são um forte índice de popularidade. Quando os jogadores espanhóis estavam a ser apresentados antes do jogo, Lamine Yamal foi votado pelas palmas como o preferido do público. Não é de estranhar, o Espanha-Egito jogou-se em Barcelona, no Estádio Cornellà-El Prat.

Os mesmos adeptos que colocaram Lamine Yamal num pedestal puseram-se aos pulos a cantar “quem não salta é muçulmano” depois de já terem assobiado o hino dos opositores. O ecrã do estádio enviou logo uma notificação ao coro: “Recorda-se que a legislação para a prevenção da violência no desporto proíbe e sanciona a participação ativa em atos violentos, xenófobos, homofóbicos e racistas”.

Uma seleção repercute a multiculturalidade de um povo. Ao querer dirigir-se à equipa adversária, o público espanhol atingiu um compatriota, alguém que por ter um talento invejável só pode ser cá dos nossos.

Lamine Yamal entendeu que os insultos não lhe foram dirigidos, mas tomou a dor de quem as bancadas queriam vilipendiar. Através das redes sociais, o extremo considerou os cânticos “uma falta de respeito e algo intolerável”.

“Usar a religião como piada faz-vos passar por pessoas ignorantes e racistas”, escreveu.

A seleção espanhola voltou a jogar na Catalunha pela primeira vez desde 2022
DeFodi Images

O jogo particular que inicialmente tinha realização prevista para o Catar, onde a Espanha deveria ter disputado a Finalíssima, terminou empatado a zero. Nas reações ao encontro, o presidente da Real Federação Espanhola de Futebol, Rafael Louzán, condenou “este incidente isolado”. “O desporto e o futebol devem ser um exemplo e não isto”, afirmou.

Luis de la Fuente também criticou o ato “intolerável”: “O futebol não é violento. As pessoas violentas aproveitam-se do futebol para terem o seu espaço. As pessoas violentas são as mesmas que estão no futebol, no teatro, na paragem do autocarro, no bar. É preciso afastá-las da sociedade.”

O caso está a ser investigado pelas autoridades catalãs tendo em vista a identificação dos responsáveis. A federação egípcia condenou o “deplorável incidente” protagonizado por adeptos que se “desviaram do comportamento desportivo adequado”. A instituição informou ainda que “está a trabalhar com os responsáveis da FIFA para prevenir cenas ofensivas em todos os estádios de futebol do mundo”.

Milagros Tolón, ministra da Educação, Formação Profissional e Desporto de Espanha, reiterou que o desporto é “solidariedade e convivência”. “O ódio, o racismo e a xenofobia não cabem nos nossos estádios nem na nossa sociedade.”

A seleção espanhola não jogava na Catalunha desde 2022. O regresso não ficará na memória pelos melhores motivos.

Tem alguma questão? Envie um email ao jornalista: fsmartins@expresso.impresa.pt