Futebol internacional

Visto como “professor suplente”, Liam Rosenior deixou o Chelsea sem confiar em barbeiros

Liam Rosenior a descer as escadas de Stamford Bridge: o treinador negou sempre estar desconectado dos jogadores
Liam Rosenior a descer as escadas de Stamford Bridge: o treinador negou sempre estar desconectado dos jogadores
Chris Lee - Chelsea FC

Liam Rosenior não aguentou quatro meses como treinador do Chelsea. Criticado pela artificialidade, o técnico de 41 anos teve dificuldades em conquistar o balneário e até para manter o onze inicial em segredo. Em campo, os londrinos fartaram-se de meter água e conseguiram algo que não se via há 114 anos

Liam Rosenior fez de tudo desde o primeiro dia que chegou ao Chelsea para não o verem como o treinador que estava no clube irmão, o Estrasburgo, à espera de um estágio na empresa com que sempre sonhou, tendo sido recrutado pelos blues porque os patrões tinham um fraquinho por ele.

Para evitar equívocos, o próprio esclareceu. “Não sou arrogante, sou bom no que faço. Tive sucesso em todos os trabalhos que fiz.” Aproveitou também para terminar com a confusão. Afinal, foi contratado pelo Chelsea para ser coach ou manager? “Ambos. Coaching é educar, desenvolver jogadores a nível técnico e tático. Management é ter a certeza que temos uma cultura forte, que os jogadores têm regras. Em inglês, a palavra manage divide-se em duas: 'man e age'. Estamos a amadurecer jogadores.”

Foram declarações que envelheceram muito mal.

A primeira experiência do inglês de 41 anos na Premier League durou apenas três meses e meio. O ciclo final de Rosenior contemplou oito jogos dos quais os londrinos perderam sete. Pelo meio, existiu apenas uma vitória para a Taça de Inglaterra, contra o Port Vale (7-0), equipa em zona de descida na 3ª Divisão. O mais tenebroso dos registos foi a sequência de cinco derrotas sem qualquer golo marcado para a Premier League, algo que não acontecia há 114 anos no clube.

Rosenior encostou os jogadores à parede por falharem nos “princípios” e não terem demonstrado “orgulho” durante a “inaceitável” derrota contra o Brighton (3-0). “Deviam olhar-se ao espelho”, recomendou. Apesar de ter garantido que não existia “desconexão” entre o treinador e o balneário, os sinais evidenciaram o contrário.

Enzo Fernández, capitão do Chelsea, deu uma entrevista durante a última pausa para seleções onde dizia que “claro que gostava de viver em Madrid”. “Não sei se vou continuar no clube na próxima época”, admitiu em declarações que demonstram que o lado azul de Londres talvez não seja o melhor sítio para estar neste momento. Rosenior considerou que “uma linha foi ultrapassada” e afastou o campeão do mundo pela Argentina durante dois jogos.

O jovem técnico teve problemas até para manter o secretismo do onze. Informações vindas do interior da cabine expuseram a equipa inicial nas duas mãos da eliminatória da Liga dos Campeões contra o Paris Saint-Germain. Situação semelhante aconteceu quando, no duelo frente ao Brighton, se soube antecipadamente das ausências de Cole Palmer e João Pedro. Neste caso, o facto foi revelado no X pelo barbeiro de Cucurella. Eis o efeito surpresa cortado pelas pontas.

Os jogadores do Chelsea em torno da bola
Darren Walsh

Os sintomas evidenciaram que a roda que os jogadores faziam imediatamente antes do apito inicial sob o lema de “respeitar a bola” não era um retrato fiel da união. Liam Rosenior imputou aos seus comandados a responsabilidade pelo procedimento, algo que não convenceu os mais convictos em relação à sua artificialidade. Como revelou a BBC, o treinador tinha uma alcunha - “professor suplente” - não muito abonatória para a preservação de autoridade.

Desde janeiro, quando Rosenior assinou com o Chelsea, a equipa de Stamford Bridge tem uma média de 2,04 golos sofridos por jogo. A contar para a Premier League, apenas por uma vez, frente ao Brentford (2-0), a baliza ficou a zero.

O Chelsea tem por assegurar, nas quatro jornadas finais da Premier League, um lugar europeu, o que implica sair da oitava posição em que Rosenior deixou os blues. Uma ligeira motivação passa por tentar ganhar a Taça de Inglaterra, competição que conseguiu fugir à obliteração de objetivos.

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