Villarreal-Barcelona em Miami? Sim: a FIFA vai permitir a realização de jogos de ligas nacionais no estrangeiro. Mas com regras
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Soccrates Images
Segundo o The Guardian, a entidade máxima do futebol aprovará um protocolo para regular um desejo antigo de várias competições na Europa. Cada liga poderá realizar um encontro por época num país estrangeiro, o qual só poderá acolher, no máximo, cinco jogos por temporada de campeonatos forasteiros. A FIFA reserva-se o direito de veto
Há quase 20 anos, em 2008, a então direção da Premier League propôs algo que, na altura, foi visto como bombástico e revolucionário: realizar uma 39º jornada do campeonato fora do Reino Unido. Em pleno boom das transmissões televisivas internacionais, particularmente com o crescimento do mercado asiático, a ideia era acrescentar uma ronda à competição e levá-la para onde fosse mais lucrativo.
A intenção esbarrou na oposição generalizada em Inglaterra. No entanto, outros tomaram nota.
Javier Tebas habituou-se a travar duras batalhas. Contra a pirataria, contra o Real Madrid ou contra o Barcelona, consoante a ocasião, ou contra ambos em simultâneo, contra o que chama de “clubes-Estado“, o líder da La Liga não desiste facilmente.
Uma década passada da tal 39º jornada da Premier League, Tebas sugeriu disputar um Barcelona-Girona em Miami. Estávamos em 2018 e o encontro esbarrou na nega dada pela FIFA.
A mesma FIFA que, agora, prepara-se para permitir, dando enquadramento regulamentar, esta velha pretensão. Noticia o The Guardian que, em Zurique, se ultima um novo protocolo que ditará em que moldes será possível levar o que costumava ser nacional para a cena internacional.
Javier Tebas, o líder da La Liga e grande apoiante da ideia de levar encontros para o estrangeiro
Europa Press News
Este novo quadro normativo, que vem sendo preparado há dois anos, inclui a possibilidade de cada campeonato realizar um jogo por época no estrangeiro. O país que acolhe está restringido à hipótese de ser palco de, no máximo, cinco partidas de forasteiros por temporada.
Segundo a referida notícia, tem de haver aprovação da parte de ambos os clubes, da federação nacional do país de origem da liga, da confederação a que pertence essa federação, da federação do país de acolhimento e, ainda, da confederação deste último. Para exemplificar, no caso do pretendido pela La Liga, teria de haver respostas positivas do Villarreal, do Barcelona, da federação espanhola, da UEFA, da federação dos Estados Unidos e da CONCACAF. Se uma das equipas recusar, então as malas voltam ao seu sítio e o encontro não se desloca.
Passada esta fase, a FIFA reserva-se o direito de veto. Hipóteses avançadas para esse bloqueio vindo de Zurique são a carga excessiva para os futebolistas ou a falta de esquemas de compensação para a deslocação dos adeptos das equipas participantes, ainda que sem especificar de que forma. É ainda obrigatório assegurar que a receita seja redistribuída e que a liga do país que recebe a partida não seja prejudicada.
Recorde-se que, para a presente época, o campeonato espanhol chegou a ter o Villarreal-Barcelona, agendado para dezembro, em Miami, enquanto a Serie A colocou o AC Milan-Como, de fevereiro, em Perth, na Austrália. Em outubro, estas viagens foram autorizadas pela UEFA, ainda que com “relutância“, mantendo a entidade europeia uma “clara oposição“ a esta ideia, mas aceitando-a tendo em conta as regras vigentes.
A La Liga e a Serie A acabaram por deixar cair este desejo. Em Espanha, os jogadores manifestaram-se contra, o que foi decisivo para travar a deslocação. Ainda assim, Javier Tebas promete voltar a tentar em breve. Em Itália, Ezio Simonelli, presidente da Serie A, vai até mais longe, indicando que, se dependesse dele, toda a jornada inaugural do calcio seria além-fronteiras.
Apesar de frequentes notícias apontando a vontade dos diversos proprietários norte-americanos de clubes ingleses em levar encontros para o outro lado do Atlântico, a Premier League tem rejeitado a hipótese. Na Alemanha, a Bundesliga é frontalmente contra. Em Portugal, a Liga diz“não ter intenção“ de realizar desafios no estrangeiro.