Futebol internacional

Os jornalistas gostam de Bruno Fernandes, ele adora assistências, mas ainda não igualou o recorde da Premier League

Bruno Fernandes tem 19 assistências esta temporada na Premier League
Bruno Fernandes tem 19 assistências esta temporada na Premier League
Ash Donelon

O capitão do Manchester United está a um passe para golo de alcançar as 20 que Thierry Henry e Kevin de Bruyne conseguiram numa só edição do principal campeonato inglês. Numa tarde chuvosa e ventosa em Sunderland, o jogo acabou sem golos. Ainda restam dois para Bruno Fernandes, eleito melhor futebolista do ano pelos jornalistas ingleses, tentar chegar ao recorde

“Mas será que o consegue fazer numa tarde chuvosa e ventosa em Sunderland?” A frase está entre aspas, disfarçada de citação não o sendo. É antes o parafrasear de um quase ditado do futebol inglês aplicado a Stoke-on-Trent, terra das West Midlands, quase 300 quilómetros distante da Sunderland mineira, perdida na posta nordeste do país, onde este sábado, com a fita de capitão apertada no braço esquerdo, Bruno Fernandes tenta jogar durante 45 minutos, tentando fazê-lo mas não conseguindo exatamente fazê-lo nesta tarde chuvova e ventosa.

Durante anos vulgarizou-se colocar a pergunta quando em Inglaterra surgia um futebolista capaz, de óbvio talento, em jeito quase jocoso, com intenção bifurcada: seria para erguer um certo sobrolho de dúvida quanto ao indivíduo e bradar à rudeza dos costumes do Stoke City do início deste século, treinado por Tony Pulis, rendindo um estilo direto, de pontapé para a frente e faca nos dentes, onde equipas maiores se embrenhavam no futebol arcaico e no clima nefasto.

O Sunderland não se assemalha, de todo, ao tal Stoke. Rendilhou o seu jogo, gosta do passe curto, envolveu os pés dos seus médios em especial os do capitão Granit Xhaka, suíço que foge à idade para ligar as jogadas ao criativo Enzo Le Fée e ao matulão Brian Brobbey, neerlandês que mediu os seus músculos com Harry Maguire. A primeira parte foi dos anfitriões, coube ao Manchester United resistir, por vezes sofrer, noutras aguentar.

Pouco se viu do Bruno Fernandes galardoado, na véspera, com “mais antigo e prestigiante prémio individual do futebol”. O português levou 45% dos votos da Associação dos Jornalistas de Futebol por estar a desfrutar “da época da sua vida”, escreveu um deles, mas em Sunderland jogou como poucas ocasiões na sua carreira. Engolido pela pressão, arrastado para duelos constantes e disputas de corpo, a partida não lhe convinha. O português não divergiu do United, lutava mais do que jogava.

Bruno Fernandes a preparar-se para bater um canto no Sunderland-Manchester United, da Premier League
Zohaib Alam - MUFC

Melhor na segunda metade, Bruno aproximou-se da sua versão sol, atraíndo à sua vontade qualquer posse de bola do United, escondendo-se do ângulo de visão dos adversários para de repente aparecer e pedir a bola. Indicava onde os colega se tinham de posicionar, abria os braços quando prestes a dar um passe, abanava a cabeça com desalento quando uma intenção não resultava, dele ou alheia, gestos muito do português intenso, não suave, exigente com quem joga com ele.

Abanou as manápulas, em protesto, quando cometeu uma falta derrubando um adversário do quem se queixou ter fingido a queda, aí barafustou para depois, nos derradeiros 15 minutos, jogar no cerne do jogo que o Manchester United conseguiu aproximar aqui e ali da área do Sunderland. Mas o jogo não estava para os red devils jogarem, esteve mais do tipo para fazer Bruno esbracejar. A terminar, o português armou um braço para ficar com o cotovelo para fora, imitando o gesto no centro do seu queixume: uma cotovelada que Nilson Angulo lhe acertou na cara. Nada feito.

Os derradeiros minutos tiveram a versão maestrina de Bruno Fernandes a prova como a chuva e o vento eram inúteis para o frenar quando a pressão do Sunderland amainou. O capitão distribuiu passes a rasgar com uma facilidade corriqueira, ordenou quando jogar lento e quando acelerar, lançou Matheus Cunha e Bryan Mbeumo, o brasileiro quis teatralizar uma queda na área para penálti e o camaronês, no último lance do jogo, não acertou com o remate de primeira na bola que lhe chegou num canto. Foi a última oportunidade para o português ser recordista.

O jogo sem golos determinou que ainda não foi desta que o jogador de quem os jornalistas ingleses muito gostam igualou as 20 assistências de Thierry Henry e Kevin de Bruyne numa só edição da Premier League. Bruno Fernandes adora dar passes para golo, ainda tem dois encontros para alcançar, quiçá ultrapassar, a marca partilhada por duas lendas.

Tem alguma questão? Envie um email ao jornalista: dpombo@expresso.impresa.pt