As novidades surgem como o início de uma cascata: Marco Silva despediu-se do Fulham, abrindo a porta à oficialização de um acordo já alinhavado com o Benfica. E agora, para surpresa de poucos, Florentino Pérez, em plena campanha eleitoral, anuncia que o seu treinador será José Mourinho que, oficialmente, ainda é treinador dos encarnados.
Na prática, estamos perante uma quase oficialização: será pouco provável que Florentino perca o sufrágio do próximo domingo, o primeiro em 20 anos em que terá concorrência, o empresário Enrique Riquelme, que esta noite respondeu com a promessa de trazer o Erling Haaland para o Santiago Bernabéu.
Momentos antes do rival trazer o norueguês para a guerra eleitoral, Florentino usou as redes sociais da sua candidatura para publicar um vídeo curto, de apenas alguns segundos, com a legenda “MOUcha historia por hacer”. Aí, Mourinho surge com uma camisola do Real Madrid e a dizer “sim”. Está, portanto, tudo certo com o atual presidente dos merengues para o regresso do português à capital espanhola, onde esteve entre 2010 e 2013, num período em que desafiou o domínio do Barcelona de Pep Guardiola. Foi campeão em 2011/12, numa liga marcada pelo recorde de pontos e golos. No ano antes, tinha conquistado a Taça do Rei. Faltou no entanto a Mourinho o Santo Graal do Real Madrid: a Liga dos Campeões, que Florentino quer desesperadamente voltar a ganhar.
Regresso para atacar Champions
O anúncio de Florentino Pérez surge três dias depois do presidente do Real Madrid ter assegurado ao “El País” que não tinha ainda falado com José Mourinho, o que, face aos mais recentes desenvolvimentos, parece altamente improvável. Mas mesma entrevista, o homem que lidera o clube ininterruptamente desde 2009, depois de um primeiro mandato de 2000 a 2006, sublinhou o papel do treinador português no regresso do clube às decisões europeias, depois de vários anos de desilusões na Liga dos Campeões.
“Chegámos a três meias-finais da Champions e, por diferentes motivos, não nos qualificámos para a final, mas deu-nos uma competitividade terrível. A partir daí, os outros, que também eram bons treinadores, conseguiram seis Ligas dos Campeões em dez anos”, apontou.
Depois das experiências falhadas com Xabi Alonso e Álvaro Arbeloa, numa época em que o Real Madrid ficou em branco em títulos, Florentino Pérez regressa a uma política que não lhe é de todo desconhecida: a aposta num regresso, num homem de confiança. Aconteceu com Carlo Ancelotti e com Zinedine Zidane, os dois últimos treinadores a conquistarem a Champions no clube. E aí está a tal história que ainda não foi feita por Mourinho.
Mas, para tal, Florentino terá de convencer os sócios do Real Madrid nas urnas. De acordo com o diário “As”, o Benfica terá acordado deixar sair Mourinho por 7 milhões de euros, mesmo que já tenha expirado a cláusula que permitia ao treinador sair por esse valor. À espera do treinador português, caso Florentino continue a ser presidente dos merengues, estará um contrato de dois anos, com mais um de opção.
O regresso de Mourinho ao Santiago Bernabéu será também a volta de um treinador cujo primeiro ato em Madrid foi marcado por muita tensão, mas também pelo culto de quem ainda venera a forma como o português usou o conflito para travar a hegemonia do Barcelona. Num possível segundo ato encontrará um balneário que, na última época, se afundou nesses mesmos conflitos, nessa mesma tensão.
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