Futebol internacional

BE quer que Governo se oponha a projetos semelhantes aos de Infantino e que assegure que Mundial 2030 não terá preços dinâmicos de bilhetes

BE quer que Governo se oponha a projetos semelhantes aos de Infantino e que assegure que Mundial 2030 não terá preços dinâmicos de bilhetes
Steph Chambers - FIFA

Num projeto de resolução entregue na Assembleia da República e assinado pelo deputado Fabian Figueiredo, o partido condena a “deriva mercantil da FIFA” sob a presidência de Gianni Infantino, incluindo “a tentativa de privatização das suas competições”, recomendando ao Governo a “defesa do futebol como bem comum“ e propondo medidas de proteção dos adeptos no próximo Mundial, que Portugal coorganiza

O Bloco de Esquerda pediu ao Governo que recuse modelos de entrada de capital privado em competições internacionais de futebol e que assegure, no quadro de preparação para o Mundial 2030, coorganizado por Portugal, Espanha e Marrocos, garantias junto da FIFA “de acessibilidade no preço dos bilhetes”, recusando “modelos de preços dinâmicos”, como os que marcaram o Mundial 2026, além de “acesso livre e gratuíto a água potável” nos estádios e “o respeito pelos direitos dos adeptos, dos trabalhadores e das populações das cidades-sede”.

Num projeto de resolução entregue na Assembleia da República e assinado pelo deputado Fabian Figueiredo, o partido condena a “deriva mercantil da FIFA” sob a presidência de Gianni Infantino, incluindo “a tentativa de privatização das suas competições”, recomendando ao Governo a “defesa do futebol como bem comum”.

O documento surge horas depois do líder da FIFA anunciar o fim do projeto de criação da FIFA Forward Enterprise, subsidiária que concentraria os direitos comerciais dos torneios da FIFA, com venda de até 20% do capital a investidores privados, entre os quais o fundo Thrive Eternal, de Joshua Kushner, irmão do genro de Donald Trump.

As 211 federações-membro da FIFA teriam menos de dois meses para decidirem a aprovação do projeto, mas a rejeição por parte da UEFA, que ameaçou mesmo boicotar as competições da FIFA, e da CONCACAF (América do Norte, Central e Caraíbas) e AFC (Ásia), fez tombar a ideia de Infantino menos de uma semana depois de esta vir a público.

“Pela primeira vez na história, o Campeonato do Mundo seria parcialmente convertido em ativo financeiro, transformando o lucro de consequência do desporto em exigência sobre ele”, pode ler-se no projeto de resolução do deputado do Bloco de Esquerda, que refere ainda que o recuo de Infantino “foi tático, não uma conversão” e que a intenção do presidente da FIFA “ficou registada, e ficou registado também quem a concebeu, quem procurou impô-la pela coação financeira e quem dela beneficiaria”.

Nesse sentido, o Bloco de Esquerda propõe que o Governo “defenda, nas instâncias europeias e internacionais em que participa”, nomeadamente no Conselho da União Europeia, Comissão Europeia e no quadro do Conselho da Europa, “o modelo europeu do desporto assente no associativismo popular, na abertura das competições, e se oponha a qualquer projeto de alienação, total ou parcial, dos direitos das competições internacionais de futebol a investidores privados”.

Além disso, que promova “no respeito pela autonomia do movimento associativo desportivo, a articulação com a Federação Portuguesa de Futebol na defesa da integridade, da transparência e da democraticidade da governação do futebol internacional, incluindo o estabelecimento de mecanismos independentes de regulação e de supervisão robustos na FIFA”.

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