Futebol internacional

Infantino recua: caiu projeto de venda dos direitos comerciais do Mundial

Infantino recua: caiu projeto de venda dos direitos comerciais do Mundial
Valeriano Di Domenico

Presidente da FIFA anunciou que a proposta de criar subsidiária aberta a investimento privado não avançará, depois da rejeição da UEFA, da CONCACAF e da confederação asiática, e horas depois de um dos seus principais assessores se demitir. “Tornou-se claro que o projeto gerou divisões“, escreveu Infantino

Não durou nem uma semana: depois de inúmeras críticas, demissões e uma ameaça de boicote por parte da UEFA, o projeto pessoal de Gianni Infantino de vender participações da operação comercial do Campeonato do Mundo a investidores privados caiu.

Foi o próprio Gianni Infantino, através de um comunicado publicado pela FIFA, a admitir o fim do plano.

“O projeto FIFA Forward Enterprise destinava-se a criar uma base para reforçar ainda mais as nossas Associações-Membro da FIFA e o futebol em todo o mundo, especialmente nos países onde o apoio é mais necessário. E, tal como afirmámos desde o início, apenas o faríamos se a maioria das Associações-Membro da FIFA estivesse de acordo e sempre sujeito a um processo de consulta com as próprias associações, o Conselho da FIFA, as Confederações e demais partes interessadas”, começa por dizer o presidente da FIFA.

Infantino explica que “após ouvir atentamente todos os pontos de vista, tornou-se claro que o projeto gerou divisões que, independentemente do nível de apoio que pudesse reunir, já não servem o objetivo que esteve na sua origem”.

“Por conseguinte, esta proposta não avançará”, lê-se no comunicado.

O presidente da FIFA sublinha que quer agora “reunir novamente com todas as partes interessadas nos próximos dias e semanas, num espírito de interesse comum pelo jogo, com o objetivo de continuar a desenvolver o futebol em todo o mundo, particularmente nos países que mais necessitam de apoio”.

É o final esperado da saga que marcou a última semana, pouco mais de 24 horas depois da UEFA anunciar que não participaria em qualquer prova da FIFA caso o plano de Infantino fosse para a frente. A primeira prova afetada seria o Mundial feminino sub-20, em setembro, onde Portugal estará presente pela primeira vez.

A CONCACAF e a AFC, confederações da América do Norte, Central e Caraíbas e da Ásia, também rejeitaram o projeto nas últimas horas. Na sexta-feira, Carlos Cordeiro, um dos principais assessores de Infantino, antigo banqueiro e ex-presidente da federação norte-americana de futebol, demitiu-se por discordar de uma ideia apelidada de “projeto de um homem só” pelo diretor de operações da FIFA, Kevin Lamour, que disse mesmo que o staff do organismo foi “enganado” por Infantino, que conduziu as conversas sem o conhecimento até de dirigentes próximos.

“Não só este projeto não pode ir para a frente como está na hora dos líderes do futebol se perguntarem as questões certas e tomarem as decisões corretas”, disse ainda Lemour à AP.

De acordo com o “Times”, um dos primeiros jornais a revelar o plano, Infantino pretendia ficar à frente da nova empresa subsidiária da FIFA, para onde seriam transferidas as operações comerciais do Mundial. Tal aconteceria depois do final do seu último mandato, em 2031.

Num negócio conduzido na sombra do Conselho da FIFA, a JP Morgan seria parceira e um dos potenciais investidores seria a Thrive Eternal, de Joshua Kushner, irmão do genro de Donald Trump. O mesmo jornal apontava que a administração norte-americana teria sido consultada sobre o plano, mas Trump negou.

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