Futebol internacional

Luís Figo diz que Infantino “tem de sair” da presidência da FIFA: “Comportamento mais baixo e desonesto que alguma vez testemunhei”

Luís Figo e Infantino durante o congresso da UEFA, em 2024
Luís Figo e Infantino durante o congresso da UEFA, em 2024
Kristy Sparow - UEFA

Ex-internacional português, que chegou a estar na corrida das eleições da FIFA em 2015, contra Blatter, antes de retirar a candidatura, escreveu artigo de opinião em jornal inglês em que arrasa o comportamento de Infantino, exigindo a saída de cena do itálo-suíço

“Podia escrever 10 mil palavras sobre os problemas da FIFA. Mas a solução precisa de apenas três: Infantino must go”.

É assim, sem floreados, que arranca o texto de opinião de Luís Figo, publicado no britânico “Daily Mail”, em que lança duras críticas ao presidente da FIFA que, para o antigo internacional português, que foi candidato à presidência do organismo em 2025 (retirou-se da corrida antes das eleições), tem de se demitir, depois de tornado público o plano de venda de parte dos direitos comerciais do Mundial a privados, com elementos ligados à família Trump entre os beneficiados.

“Aquilo a que assisti nos últimos dez dias foi o comportamento mais baixo, mais desonesto e mais descaradamente egoísta que alguma vez testemunhei”, diz, sublinhando que Infantino, que acusa de querer “enriquecer os amigos e a si próprio”, é um “resto do passado e que não deve ter lugar no futuro”.

O antigo jogador de Sporting, Barcelona, Real Madrid e Inter aponta ainda o dedo ao líder da FIFA por querer dar força a um projeto que lhe daria “um trabalho a pagar 30 milhões de dólares por ano” e por entregar “a cabeça do Mundial numa travessa” aos seus “compinchas de Washington”.

Luís Figo, agora conselheiro da UEFA, frisa ainda que “nada disto surpreende, quando se olha para a longa lista de abusos” que Infantino “infligiu à reputação do futebol: desde suspender e depois reverter decisões disciplinares até violar as leis do jogo por causa de um espetáculo ao intervalo, nada se interpõe no caminho de agradar aos seus amigos”. Fala ainda do caso denunciado pelo presidente da federação da Jordânia, que acusou a FIFA de chantagem: só ajudariam a federação caso a Jordânia tornasse oficial o apoio a Infantino na eleição de 2027.

“O futebol precisa de uma discussão sobre dinheiro. Mas não dinheiro que sairá do futebol para investidores ou para os gordos salários de administradores”, lê-se ainda no texto, defendendo que a discussão tem de passar pelo desenvolvimento do futebol de formação e de treinadores, “para garantir que qualquer criança no mundo possa ter a oportunidade de se apaixonar pelo mais bonito desporto do planeta”.

Figo aponta ainda o papel da imprensa que, tal como na Super Liga, “desmontou o plano” e “cada uma das suas manobras ardilosas antes dos seus defensores terem sequer a narrativa preparada”.

“Infantino desvirtuou o cargo de presidente da FIFA que prometeu dignificar. Mentiu, enganou e tentou assegurar os seus próprios interesses à custa do jogo que deveria servir. Perdeu o apoio dos seus principais colaboradores, dos seus conselheiros mais próximos, da esmagadora maioria das pessoas que dedicaram a vida a este desporto e até, ao que parece, do vencedor do Prémio da Paz da FIFA”, continuou o português, que atira que já é “demasiado tarde para salvar” a dignidade de Infantino, “mas não é demasiado tarde para salvar o futebol”

E, por isso, “deve sair, agora”, remata Luís Figo.

Em 2015, Luís Figo candidatou-se contra Sepp Blatter, por iniciativa da UEFA, revelaria em 2022. Propuseram que eu fosse candidato. Eu via que [a FIFA] estava cheia de corrupção e máfia. Sentíamos, na confederação europeia, que tínhamos de nos mexer, mesmo que não tivéssemos hipóteses. Tínhamos pelo menos de tomar uma posição”, disse então ao “Guardian“.

Seria a própria UEFA, apontou o português, que lhe pediria para se retirar da corrida, ainda antes das eleições. Esse congresso da FIFA, em Zurique, ficaria marcado por uma operação das autoridades suíças e do FBI, que prenderiam vários dirigentes do organismo máximo do futebol, dando origem ao FIFAGate. Blatter cairia pouco depois, abrindo as portas à chegada de Gianni Infantino ao poder.

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