Futebol internacional

UEFA prepara queixa-crime contra Gianni Infantino, mas suspende boicote para o Mundial sub-20 feminino

Infantino é líder da FIFA desde 2016
Infantino é líder da FIFA desde 2016
Sam Hodde

Após uma reunião no Mónaco, a UEFA confirmou ainda que, caso Infantino se apresente às eleições do próximo ano, irá apresentar uma alternativa ao ítalo-suíço

A UEFA está a preparar uma queixa-crime contra o presidente da FIFA por alegada gestão desleal, acusando Gianni Infantino da tentativa de prejudicar intencionalmente os interesses do organismo com a abertura do Mundial de futebol a investidores privados.

De acordo com a AFP e a EFE, com ambas a citarem fontes próximas do organismo que rege o futebol europeu, o processo judicial está a ser preparado com base na lei suíça e está relacionado com a criação da subsidiária FIFA Forward Enterprise (FFE), destinada a comercializar as suas competições com capital privado, projeto que entretanto foi suspenso.

Tanto a AFP como a EFE avançaram que a UEFA já solicitou autorização a um tribunal norte-americano da Florida para aceder a documentos relacionados com o projeto, de forma a transferi-los para a justiça suíça.

Já depois das agências noticiosas avançarem com esta informação, num longo comunicado, a UEFA anunciou que vai procurar “todas as vias institucionais, políticas e jurídicas disponíveis para garantir uma reforma fundamental da FIFA”.

“É preciso restaurar os limites adequados à autoridade presidencial e assegurar que a FIFA seja novamente governada como uma instituição e não em torno de um único indivíduo”, lê-se no documento, que resultou após uma reunião no Mónaco entre os representantes das federações nacionais que integram o Comité Executivo da UEFA e membros do Conselho Europeu da FIFA.

A UEFA defendeu ainda uma revisão externa independente da FFE, com acesso irrestrito a todos os documentos, comunicações e registos de tomada de decisão relevantes.

“A FIFA não pode investigar-se a si própria e esperar que a comunidade futebolística simplesmente aceite as suas conclusões”, frisou.

Apesar de a FIFA ter garantido que o projeto FFE foi “irrevogável e permanentemente cancelado”, mesmo assim o organismo que rege o futebol europeu defendeu que Gianni Infantino não tem condições para se recandidatar ao cargo e diz que irá apresentar uma alternativa caso o ítalo-suíço mantenha essa intenção.

Boicote suspenso

No mesmo comunicado, a UEFA diz que, havendo garantias por escrito que a FIFA Forward Enterprise está morta e enterrada, decidiu suspender, “de forma provisória“, o boicote que havia anunciado para as competições organizadas pela FIFA, a começar pelo Mundial sub-20 feminino, já em setembro, e onde Portugal vai estar pela primeira vez. As seleções europeias estarão também no Mundial sub-17 e no Mundial sub-17 feminino, não havendo ainda uma decisão para o Mundial feminino sénior, em 2027.

“Esta posição estará em permanente análise e pode ser reconsiderada de forma imediata se as circunstâncias assim o requererem“, lê-se no comunicado.

No início de agosto, Gianni Infantino anunciou a criação da FFE para gerir as atividades comerciais da organização e torneios como o Campeonato do Mundo, com a participação de investidores privados, projeto que foi rapidamente retirado devido a elevada oposição.

A UEFA, a confederação norte-americana (CONCACAF) e asiática (AFC) repudiaram mesmo a ideia do presidente da FIFA numa carta conjunta à "família do futebol".

No cargo desde 2016, Infantino é o único candidato declarado às eleições do próximo ano e precisa de uma maioria simples dos votos das 211 federações filiadas na FIFA para prolongar o seu mandato.

Nesse sentido, Infantino já recebeu o apoio total da Confederação Africana de Futebol (CAF), parte da Confederação Sul-Americana de Futebol (CONMEBOL), bem como de outras federações, ex-jogadores e figuras políticas como o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

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