“Já não tenho mais para dar“: Lionel Messi anuncia retirada da seleção argentina
Messi tem 39 anos
David Ramos
Depois de 207 jogos e 125 golos, o até agora capitão deixa de representar a equipa nacional. Vencedor de um Mundial, mais duas vezes vice-campeão, e com dois triunfos na Copa América, o canhoto assegura que é uma decisão difícil, mas necessária: “Doeu e dói na alma, mas é o momento”
Ter saído de Rosario ainda adolescente, rumando a Barcelona, chegou a colocar em cima da mesa a hipótese de Lionel Messi representar a seleção de Espanha, e não da Argentina. As proezas do pequeno canhoto ao serviço das equipas de formação dos catalães chegaram aos escritórios da federação espanhola, em Madrid, e houve movimentações para desviar o que já se advinhava vir a ser um prodígio.
O alerta chegou a Buenos Aires e, quase em contrarrelógio, conseguiu-se fazer Messi jogar pelo seu país de nascimento. Pelo seu país, pela terra que sempre considerou a sua, nunca perdendo o sotaque argentino, por exemplo, apesar de não viver lá em permanência há 25 anos.
Passadas mais de duas décadas da estreia pela equipa principal, umas das relações mais bem-sucedidas da história do futebol terminou. Lionel Messi comunicou o fim da sua era como jogador da seleção da Argentina.
“Foi uma decisão que doeu e doi na alma, mas entendo que é o momento“, anunciou, nas redes sociais, o homem de 39 anos.
Lionel Messi a levantar o troféu do último Mundial de futebol, realizado no Catar, vestindo um bisht, traje tradicional do país.
FRANCK FIFE
A última grande competição foi, assim, o Mundial 2026, em que Messi capitaneou, pela terceira vez, a equipa nacional rumo à final da maior das competições. Fê-lo, também, em 2014, perdendo contra a Alemanha, e em 2022, quando atingiu a glória máxima no Catar.
Nem sempre a relação de Messi com a Argentina foi fácil. O longo jejum de títulos, que vinha de antes da estreia do canhoto e durou até à Copa América 2021, levou a críticas e traumas, sobretudo em 2014, 2015 e 2016, um trio de verões em que os sul-americanos perderam três finais seguidas, primeiro a já referida no Brasil, em 2014, depois as da Copa América em 2015 e 2016, ambas nos penáltis contra o Chile. Nessa altura, chegou por momentos a renunciar à seleção.
Já depois dos 30 anos, chegaram os títulos. À Copa América 2021 seguiu-se o Mundial 2022 e a Copa América 2024, sempre com Scaloni no banco.
Lionel Messi em lágrimas após final do Mundial 2026
Maja Hitij - FIFA
Messi retira-se com 207 jogos e 125 golos. É o segundo homem com mais partidas e o segundo com mais golos no futebol de seleções, em ambos os parâmetros atrás de Cristiano Ronaldo.
Lionel disputou seis Mundiais, tendo estado na Copa América em sete ocasiões. Na competição continental, além dos triunfos de 2021 e 2024, atingiu a final em 2007, 2015 e 2016.
A nível de equipas jovens, conquistou, ainda, o Mundial sub-20, em 2005, e a medalha de ouro em Pequim 2008.
“Falta pouco e vão-se fechando etapas e esta é uma que doi muito. Amo, amei e amarei sempre estar na seleção. Esvaziei-me, não tenho mais para dar e, além do mais, vêm rapazes muito bons atrás que merecem estar [na seleção]”, lê-se na mensagem publicada por Messi.
No fim do post, Leo esclarece que escreveu estas palavras a 21 de julho, dois dias depois da final perdida contra Espanha. “Depois do que aconteceu com o meu pai, estou mais convencido que antes”, indica o jogador do Inter Miami, que perdeu o pai, Jorge, a 8 de agosto.