São apelidadas de Big 5 por alguma razão, mesmo que as forças unidas, desta feita, sejam só de quatro campeonatos. “O presidente da FIFA tem ativamente promovido ideias exploratórias em vez de proteger contra elas”, lê-se logo no arranque do comunicado. “A questão mais alargada é se deve, em simultâneo, exercer um poder regulatório, comercial e político tal sem um efetivo sistema de freios e contrapesos”, criticam, poucas linhas abaixo, reforçando a sua entrada a pés juntos desta sexta-feira.
A Premier League, a La Liga, a Bundesliga e a Serie A manifestaram-se contra “um dos maiores abusos de poder na história” da entidade que governa o futebol internacional, por sua vez liderada, desde 2016, por Gianni Infantino, figura mais criticada da modalidade desde pouco após o último Campeonato do Mundo, quando o “Daily Telegraph“ noticiou a sua intenção de vender 21% de uma futura empresa criada para comercializar os direitos comerciais do torneio. Por ter sido descoberto e tão criticado, o plano caiu. As quatro ligas — à exceção da francesa — , decidiram insurgir-se por entenderem que “o implacável expansionismo da FIFA afeta toda a gente”.
No texto assinado em conjunto, líderes destes campeonatos atacam a falta de inclusão “significativa” no processo de decisão da FIFA dos “stakeholders” do futebol “mais afetados“ pela criação de novas competições e sobrecarrega o calendário internacional: “Uma liderança que concentra poder político, comercial e regulatório não controlado não está apto a governar.” As ligas inglesa, espanhola, alemã e italiana lembram a queixa formal apresentada à Comissão Europeia, em 2024, para sublinharem como “a jurisprudência internacional tem sublinhado o mesmo ponto”.
“Isto tem de mudar”, defendem, pedindo a quem saia vencedor das eleições da FIFA, em março (para já, apenas Infantino recandidatou), crie um novo órgão independente que inclua “ligas, clubes, jogadores e jogadoras“ para ser “informado de todas as iniciativas e tenha uma voz no processo de decisão“; que assegure a explicação de qualquer decisão tomada “por evidências sustentadas e avaliadas independentemente“; e que implemente “reformas“ para o “papel regulador“ da FIFA “ser separado e protegido“ das suas “funções comerciais“.
As quatro ligas pedem ao vencedor das próximas eleições que dê mostras de aceder a estes pedidos nos primeiros 100 dias do seu mandato e que convoque uma “Convenção de Governança”, com as federações-membro e “a comunidade do futebol”, cujos resultados sejam “reportados publicamente num prazo de seis meses”. O tempo dirá se esta tomada formal de posição surtirá efeitos em quem venha a mandar, ou continue a mandar, na FIFA. “Este é o momento para decidir não só quem liderará a FIFA, mas também como a FIFA deve ser liderada.”
Tem alguma questão? Envie um email ao jornalista: dpombo@expresso.impresa.pt