Após risco de cancelamento, o Burkina Faso apareceu na Argentina a cinco horas do jogo começar. Levou uma equipa sub-23 que foi goleada
Prestianni foi titular e estrou-se a marcar
Marcos Brindicci
A Argentina venceu o Burkina Faso por 7-0 num jogo amigável cuja história surreal extravasada o resultado. A seleção africana entrou em campo sem descanso após uma conturbada viagem de 12 horas. O Monumental reconheceu o esforço dos jovens com aplausos
A seleção do Burkina Faso estava em Marrocos. Foi lá que ganhou à República Centro-Africana num jogo de qualificação para a CAN. Dali, o plano era seguir para a América do Sul para um amigável contra a Argentina.
O intervalo de três dias entre os encontros ia-se esgotando e nem sinal da equipa africana em Buenos Aires. O Burkina Faso esteve prestes a descolar, mas a companhia aérea cancelou o curso sem aviso prévio. Os problemas logísticos impediram que a deslocação se fizesse num voo fretado, algo que os jogadores não aceitaram. As divergências levaram os burquinenses a recusarem-se a treinar e os futebolistas acabaram mesmo por abandonar o estágio fulos com o mau planeamento e com a falta de condições financeiras.
No X, o jornalista Romain Molina refere que o custo da viagem era da responsabilidade da federação argentina, que terá ordenado a redução de custos. Assim sendo, após o incumprimento da ideia original, o Burkina Faso teria que embarcar num avião comercial. O cenário que gerou descontentamento dentro da comitiva, mas acabaria por ser revertido quando os principais jogadores já tinham desertado.
Sem elementos para colocar no novo avião fretado, foi necessário improvisar. Assim, o Burkina Faso chamou a equipa sub-23 para enfrentar os vice-campeões do mundo. Após uma odisseia de 12 horas de viagem, o país marcou presença no compromisso.
A equipa do Burkina Faso que esteve presente no Monumental
NurPhoto
Ultrapassou-se o risco de cancelamento do encontro, mas a competitividade foi afetada. Os étalons conseguiram aterrar na Argentina a apenas cinco horas do jogo. Sem descanso e com um plantel inexperiente, a memória que os jovens levaram do Monumental foi uma goleada por 7-0. As estatísticas são igualmente desequilibradas: gozaram de apenas 25% de posse de bola e registaram 0,09 golos esperados.
Apesar da ausência de Lionel Messi, a Argentina manteve grande parte da equipa que perdeu a final do Mundial 2026 contra a Espanha. Mesmo com poucas remodelações, Gianluca Prestianni foi titular e marcou pela primeira vez com a camisola albiceleste.
Nesta janela internacional, a Argentina volta a entrar em campo contra o Benim naquele que será o último jogo de Messi na seleção. Trata-se certamente de um encontro mais memorável do que o duelo frente ao Burkina Faso do qual apenas ficam para a posteridade os aplausos dos adeptos argentinos aos adversários, um gesto de reconhecimento a quem deu tudo o que tinha.