Jogar em casa tem benefícios comprovados para o bem-estar dos futebolistas. A familiaridade com o contexto permite saber com precisão qual a hora exata a que é preciso sair de casa para chegar sem atraso, conhecer a melhor metade do campo para jogar no segundo tempo, identificar as zonas onde o relvado tem menos buracos e até perceber o sentido mais frequente do vento.
Faz parte da justiça de um campeonato que os clubes que o integrem possam jogar o mesmo número de vezes em casa e fora. O Lusitânia de Lourosa não parece abrangido pelo equilíbrio proposto pelos regulamentos. Esta época, a equipa já realizou 12 encontros na condição de visitado, 11 para a II Liga e um para a Taça de Portugal. No entanto, foi sempre anfitrião em estádios alheios.
Este domingo, subiu para sete o número de recintos utilizados pelo emblema da Segunda Divisão. O Lusitânia de Lourosa recebeu o Marítimo, líder do campeonato, no Estádio Carlos Osório, em Oliveira de Azeméis, deixando a sua marca num novo local. A complicação tem origem na impossibilidade dos lusitanistas utilizarem o seu próprio estádio devido às obras que nele estão a decorrer.
A Liga Portugal confirmou em comunicado que estão em curso “intervenções para cumprimento dos requisitos legais e regulamentares”. O organismo deu ainda conta que o clube propôs o Estádio Cidade de Barcelos como substituto, infraestrutura que não foi utilizada porque a “elevada concentração de eventos” na zona afetaria o trabalho das forças de segurança.
Não será por acaso que a equipa treinada por Pedro Miguel tem o terceiro pior registo a jogar em casa (apenas nove pontos), mas é a terceira melhor fora de portas (15 pontos). Ao longo da temporada, o Lusitânia de Lourosa já passou também pelo Estádio Luís Filipe Menezes (Olival), Estádio Municipal Dr. Jorge Sampaio (Vila Nova de Gaia), Complexo Desportivo de Azevido (Paredes), Estádio Municipal de Famalicão, Estádio Capital do Móvel (Paços de Ferreira) e Estádio do Algarve. Neste último caso, o jogo disputou-se a mais de 500 quilómetros da sede do clube do distrito de Aveiro.
Na 18ª jornada, contra o Marítimo, os adeptos não ficaram em casa e esgotaram o Estádio Carlos Osório. O apoio não foi uma grande ajuda e os campeões da Liga 3 perderam por 4-0.
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