FC Porto-Sporting: o quase fim da incerteza ou um até já à maldição
Separados por quatro pontos, FC Porto e Sporting defrontam-se esta segunda-feira (20h45, Sport TV1) clássico jogo decisivo para as contas da I Liga
Separados por quatro pontos, FC Porto e Sporting defrontam-se esta segunda-feira (20h45, Sport TV1) clássico jogo decisivo para as contas da I Liga
Jornalista
Quando o Sporting-Arouca entrou no período de compensação, era legítimo começar a escrever a certidão de óbito à luta pelo título. Caso o 1-1 não se alterasse, os leões ficariam a seis pontos do FC Porto, que somava 10 vitórias em 10 jornadas fora de casa e visitaria, no dia seguinte, o Casa Pia, virgem de triunfos como local. Ter primeiro e segundo separados por largos nove pontos parecia uma questão de tempo.
Mas não foi. Luis Suárez marcou, chegando aos 25 golos na época e dando a quarta vitória in extremis seguida para os verde e brancos. Passadas 24 horas veio o espanto maior, uma surpresa que reanimou a disputa que chegou a ter pré-anúncio de morte.
O aflito Casa Pia derrotou (2-1) o FC Porto. Na primeira parte do encontro o líder sofreu tantos golos como em todas as 10 anteriores rondas efetuadas como visitante. Foi a terceira derrota de Farioli em 33 desafios no clube, imposta por quem apresentava um registo de zero jogos ganhos contra ocupantes dos 12 primeiros lugares da tabela.
Em 24 horas, o Sporting passou do susto dos possíveis nove pontos de atraso para a realidade dos quatro. E pode reduzi-los para um, dependendo do que suceder contra o FC Porto (segunda-feira, 20h45, Sport TV1).
Para conseguir um êxito que seria fundamental para o tricampeonato, a equipa de Rui Borges tem de superar a barreira que, a nível nacional, é mais difícil para o clube: ganhar na casa do FC Porto. Com meras 19 vitórias em 118 idas ao reduto do rival, os 16,1% de êxitos leoninos quando visita os dragões são a mais baixa percentagem do Sporting como visitante diante de qualquer adversário da I Liga.
Nos últimos 50 anos, os lisboetas somente levaram a melhor no terreno portuense em cinco ocasiões, cumprindo quase rigorosamente o hábito de lá prevalecer uma vez por década. Sucedeu em 1987, 1997, 2007, 2014 — que baralha estas contas — e 2016.
Desde que se deu a mudança para o Estádio do Dragão, a maldição acentuou-se, com meros 11,5% de encontros ganhos. Paulo Bento, com livre de Tello, Marco Silva, na Taça de Portugal, e Jorge Jesus, com Slimani em grande, são os treinadores que Rui Borges pretende igualar.
Depois de 11 jornadas seguidas a vencer, a escorregadela contra o Casa Pia deixou um raro aroma a dúvida na temporada do FC Porto. A melhor resposta seria vencer o terceiro clássico da época — após o da primeira volta em Alvalade e o da Taça contra o Benfica — cavando um fosso de sete pontos que, à falta de 12 jornadas, faria ir buscar ao lixo as certidões de óbito à incerteza entretanto rasgadas.
Em caso de derrota, um fantasma pode renascer para Francesco Farioli. Na época passada, o seu Ajax tinha nove pontos de vantagem sobre o PSV a cinco jogos do fim, mas uma desastrosa série de duas derrotas e dois empates levou o título de campeão da Eredivisie para Eindhoven. Cabe ao treinador italiano afastar esse trauma.
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