Futebol nacional

Reunião do Governo com Varandas e Villas-Boas acaba com mais ataques entre os presidentes. FC Porto promete agir judicialmente contra leões

Reunião do Governo com Varandas e Villas-Boas acaba com mais ataques entre os presidentes. FC Porto promete agir judicialmente contra leões
Diogo Cardoso

Presidentes do Sporting e FC Porto foram recebidos invidualmente por Margarida Balseiro Lopes, ministra do Desporto. No final de cada um dos encontros, repetiram-se e formaram-se novos ataques. Líder do Sporting fala em “cinco meses” de vários casos “mancharam a imagem do desporto nacional”, Villas-Boas diz que FC Porto será “implacável com o Sporting relativamente a difamação, calúnia e aos atentados contra o seu bom nome”. A paz está longe de voltar

O Sporting pediu a reunião, o FC Porto foi também chamado. De forma individual, Margarida Balseiro Lopes, ministra da Cultura, Juventude e Desporto, recebeu Frederico Varandas, pelas 15h30 e, duas horas mais tarde, André Villas-Boas. Na mesma sala estava ainda o secretário de Estado do Desporto, Pedro Dias, e o presidente da Federação de Andebol de Portugal (FAP), Miguel Laranjeiro.

Os acontecimentos do fim de semana que precederam o clássico de andebol entre FC Porto e Sporting, no Dragão Arena, precipitaram o pedido do Sporting, que se viu privado do jogador Christian Moga e do treinador Ricardo Costa, que se sentiram mal alegadamente depois de entrarem no balneário, que apresentaria um cheiro incomodativo. Uma versão corroborada posteriormente por uma das delegadas da FAP ao jornal “A Bola”. O Sporting opôs-se à realização do jogo, mas os delegados entenderam existir condições para que o jogo decorresse. Os leões jogaram sob protesto.

Ainda no próprio dia, o FC Porto lançou um comunicado, desmentindo “de forma absoluta, clara e inequívoca” os relatos que chegavam do seu pavilhão, falando em insinuações “graves, abusivas e totalmente destituídas de qualquer fundamento”. O Sporting respondeu no dia seguinte, acusando o rival de “ações repugnantes” e “práticas obscuras”, anunciando ainda que havia pedido uma reunião com o Governo.

A reunião aconteceu esta quarta-feira e, mesmo que Miguel Laranjeiro dela tenha feito parte, rapidamente Frederico Varandas assumiu que todo este caso vai “muito além do episódio do fim de semana”, em que o andebol parece ter apenas sido apanhado por tabela. E das conversas, analisando as declarações dos presidentes à saída das respetivas reuniões, não saiu nada que vá pacificar o ambiente entre Sporting e FC Porto.

Varandas fala em “atitudes miseráveis” de Villas-Boas

À saída da conversa, que durou quase duas horas, o presidente do Sporting sublinhou que considerou “importante falar com o topo da pirâmide de quem tutela o desporto”, falando de “cinco meses” em que vários casos “mancharam a imagem do desporto nacional”.

Varandas apresentou cinco casos a Margarida Balseiro Lopes: o das imagens na televisão do balneário do árbitro Fábio Veríssimo no intervalo do FC Porto-SC Braga, o alegado roubo de toalhas ao guarda-redes Rui Silva no FC Porto-Sporting para o campeonato, o desaparecimento de bolas, também nesse encontro, a colocação de colunas junto dos adeptos do Sporting também nesse mesmo clássico que, segundo Varandas, tinham “um som incomodativo” e “abafavam” os cânticos dos adeptos e, por fim, o caso do balneário no FC Porto-Sporting do último fim de semana, o mais grave, na sua opinião, já que afetou “a integridade física das pessoas”.

Frederico Varandas procura chegar a terceiro mandato à frente dos leões
Diogo Cardoso

“Quis apelar ao topo da pirâmide, à senhora ministra, ao secretário de Estado. Abaixo deles têm presidentes da federação e da liga”, apontou Varandas, considerando que tanto Pedro Proença como Reinaldo Teixeira, que o Sporting apoiou, algo sublinhado pelo líder leonino, não querem “tocar nos grandes”, uma cultura que, aponta “já vem do passado”. Varandas diz que apelou a Margarida Balseiro Lopes para falar com os presidentes das federações que, na sua opinião “nada têm dito” sobre as últimas polémicas.

“Dizem que estas coisas fazem parte do futebol, eu discordo dessa visão: não faz parte do futebol roubar toalhas, esconder bolas, pôr uma armadilha numa televisão”, continuou, assessorando-se de uma folha com apontamentos e questões sobre os cinco casos referidos, que entregou à ministra do Desporto.

O presidente leonino, recentemente eleito para mais um mandato, recusou ainda a ideia de existir uma quezília entre FC Porto e Sporting. “O Sporting não tem problema nenhum com qualquer clube, o que está a acontecer é que há um clube que tem um modus operandi nos últimos cinco meses, uma forma de estar e uma atitude desportiva miseráveis”, enfatizou, apontando que os leões apenas têm reagido às ações do rival: “O Sporting só reage porque eu tenho de reagir, quem me dera a mim não ter de falar. Mas se o presidente do Sporting não fala, fala quem?”.

Villas-Boas diz ter provas que não houve sabotagem

Bem mais rápida foi a reunião entre André Villas-Boas e Margarida Balseiro Lopes. Não mais que meia-hora. Nela, o presidente dos dragões disse ter “prestado esclarecimentos sobre os alegados incidentes” referidos pelo Sporting, sublinhando que o FC Porto está “absolutamente tranquilo sobre todos os factos”.

“Promovemos uma auditoria interna e externa extensa, bem documentada, desde que a porta do balneário foi fechada após um treino de uma das nossas equipas de hóquei em patins até ao momento em que a porta é aberta para receber o Sporting. Temos tudo documentado, o nosso diretor de segurança viu horas e horas de CCTV e estão excluídas prevaricações com produtos de limpeza e produtos tóxicos, sabotagem interna ou externa, seja também por parte do Sporting”, explicou Villas-Boas, que desejou as melhoras a Ricardo Costa, treinador dos leões: “Custa muito ao FC Porto ver um Dragão de Ouro deitado e prostrado no chão, que rapidamente possa estar em condições de dirigir o Sporting”.

O presidente do FC Porto afirmou ainda que para o clube é “um conforto que tenha sido aberto um inquérito do Ministério Público” já que “os factos e as imagens que o FC Porto tem são muito óbvios, desde relatórios médicos, ao auto da polícia, em que o único que é levantado é a agressão do Martim Costa a um adepto do FC Porto”. E diz que não deixará passar em branco as acusações feitas pelo Sporting nos últimos dias: “Apurados os factos e terminando com a arquivação, como acontecerá seguramente, o FC Porto vai ser implacável com o Sporting relativamente a difamação, calúnia e aos atentados contra o seu bom nome. Não só o Sporting como alguns comentadores da comunicação social que claramente ultrapassaram a liberdade de expressão”.

Num ataque a Frederico Varandas, André Villas-Boas disse ainda que considera “raro e patético” marcar uma reunião com o Governo para se discutir “um incidente que para o Sporting é gravíssimo, uma investigação de criminalidade do FC Porto, que vem depois transformado em cones, bolas e toalhas”, revelando ainda que o relatório médico recebido pelo FC Porto diz que Christian Moga estava com a “glicémia baixa” e Ricardo Costa com “tensão alta”, não havendo hospitalização de nenhum elemento do Sporting.

“Disse-me o diretor de segurança que há vários jogadores do Sporting a entrarem e a saírem do balneário e alguns deles a gozar com a situação”, disse ainda Villas-Boas, acusando um elemento do Sporting de tirar fotografias da situação e enviar para a comunicação social.

Villas-Boas falou ainda em “aproveitamento” do Sporting e de uma “lamentável vitimização permanente” do clube de Alvalade, que acusa de querer “desviar o caso do Sporting-Tondela para mais tarde” e Varandas de “fazer figurinhas lamentáveis” e de ser “incendiário”.

A paz não voltará tão cedo entre o Dragão e Alvalade.

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