Futebol nacional

Claque Panteras Negras vai pedir a nulidade do processo de insolvência do Boavista para tentar impedir a venda do Estádio do Bessa

Um treino do Panteras Negras FC, clube fundado, esta época, pela claque do Boavista
Um treino do Panteras Negras FC, clube fundado, esta época, pela claque do Boavista
FERNANDO VELUDO / NFACTOS (EXCLU

O Estádio do Bessa irá a leilão, em maio, por €31 milhões de euros e um dia após o anúncio os Panteras Negras, críticos do desfecho catastrófico e da incompetência absoluta da direção do Boavista, avisaram que vão tentar impugnar a venda do recinto

A associação Panteras Negras vai recorrer aos tribunais para impugnar a venda judicial do património do Boavista, acusando a direção de "incompetência absoluta" e "inação" perante o processo de insolvência, anunciou a claque axadrezada.

Em causa está o processo de insolvência do clube campeão nacional de futebol em 2000/01, com o agendamento para a próxima semana do leilão do Estádio do Bessa e do complexo desportivo adjacente, no Porto.

Em comunicado, a claque afeta ao clube portuense diz estar a trabalhar com o seu departamento jurídico para "requerer a nulidade total do processo de insolvência" e suspender a alienação de ativos, visando travar o que classificam como um "desfecho catastrófico".

"Não permitiremos que o património, erguido com o suor de gerações, seja entregue sem que todas as instâncias de defesa sejam esgotadas", lê-se no documento, no qual destacam o papel da claque como "guardiã da mística" face ao que consideram ser o risco de desmantelamento do clube centenário.

A reação da claque surge um dia após o anúncio de que o Estádio do Bessa e o seu complexo desportivo serão vendidos em leilão eletrónico pelo valor base de €38 milhões.

O leilão ocorre num momento de "morte lenta" da instituição que acumula dívidas superiores a €150 milhões.

No comunicado assinado pelo presidente da associação, Nuno Fonseca, o grupo de adeptos dirige duras críticas à atual direção do Boavista, acusando-a de seguir uma "estratégia suicida" ao avançar para a insolvência sem garantir a aprovação prévia de um plano de recuperação, expondo o clube a um "abismo jurídico sem rede de segurança".

"A direção limitou-se até agora a assistir ao desenrolar do processo de insolvência, nada fazendo de concreto para salvaguardar os bens do Boavista Futebol Clube", acusam os Panteras Negras, apontando ainda a falta de transparência sobre "investidores fantasma" e "promessas vagas" de injeção de capital que nunca se concretizaram.

A claque estende a responsabilidade ao Conselho Geral do clube, defendendo que os seus membros serão "tão culpados por esta catástrofe" como a direção se continuarem a "caucionar este caminho de destruição".

A estrutura liderada por Nuno Fonseca assegura que "não aceita assistir passivamente ao fim do clube" e que esta "não é apenas uma batalha jurídica, mas uma luta pela sobrevivência".

O Boavista, campeão nacional em 2000/01, terminou 11 épocas consecutivas na I Liga com uma descida em 2025. Atualmente, a SAD - liderada por Fary Faye - ocupa o último lugar do escalão principal da AF Porto, jogando no Parque Desportivo de Ramalde.

O clube chegou a inscrever-se na última divisão distrital, mas abdicou de competir em outubro de 2025 devido à solidariedade com as dívidas da SAD e impedimentos da FIFA.

Antevendo o colapso do clube, o líder dos Panteras Negras, o mais representativo grupo organizado de adeptos do Boavista, fundado em 1984, fundou o Panteras Negras Footballers Club, em 2025.

Este projeto independente foi apresentado como uma estrutura destinada a servir o emblema axadrezado para a uma reconstrução no futuro.

A associação está legalmente constituída e inspira-se na alcunha do clube, simbolizando a identidade e união dos adeptos axadrezados.

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