O Conselho de Justiça (CJ) da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) anunciou esta sexta-feira o arquivamento, por falta de “indícios suficientes da prática de infração disciplinar“, do processo de inquérito instaurado a Luciano Gonçalves, por alegadas interferências na arbitragem.
O relatório do processo, instaurado em 1 de julho e que visava uma investigação por “eventual prática de infração disciplinar“ do presidente do Conselho de Arbitragem (CA) da FPF, conclui que “não foram recolhidos indícios suficientes da prática de infração disciplinar”, propondo, por isso, “o arquivamento dos autos”.
O inquérito incidiu, entre outras matérias, sobre alegações de que o presidente do CA teria transmitido informações sobre futuras nomeações de árbitros, bem como sobre uma mensagem enviada a um árbitro antes de um encontro da I Liga de futebol da época 2025/26.
O processo a Luciano Gonçalves foi instaurado na sequência de uma denúncia de Duarte Gomes, que depois de se demitir do cargo de Diretor Técnico Nacional de Arbitragem alegou que um árbitro tinha partilhado consigo “um conjunto de informações que, pelo seu teor e sensibilidade, suscitaram preocupações institucionais muito relevantes”.
Em causa estavam, como se lê no relatório, “situações envolvendo o Presidente do Conselho de Arbitragem em funções, Luciano Pedrosa Gonçalves a quem, em síntese, e com potencial relevância disciplinar, era imputada a nomeação de árbitros para dois dos últimos quatro jogos da Liga 2025/2026, decisivos para a manutenção de um clube na 1.ª Liga 'a pedido', bem como o envio de uma mensagem Whatsapp ao árbitro Hélder Malheiro, que atingira o limite de idade e a quem já havia sido comunicado que não iria continuar na temporada seguinte, dizendo-lhe que poderia prosseguir a carreira, caso aquele clube vencesse o jogo“.
“Contudo, não nos parece possível concluir pela existência de indícios suficientes de que a afirmação de que Hélder Malheiro seria o árbitro do Moreirense-Estrela da Amadora da jornada 32 da Liga tenha tido origem em informação fornecida pelo Presidente do Conselho de Arbitragem Luciano Gonçalves, nem tão pouco que a nomeação tenha sido efetuada a pedido ou por pressão de dirigentes do Estrela da Amadora, já que não há qualquer suporte probatório de tais indícios“, lê-se ainda na comunicação.
Hélder Malheiro, no âmbito do processo, afirmou que Pedro Garcia, antigo árbitro assistente, havia realizado uma videochamada onde lhe teria dito: “Eu nunca te pedi nada e não te vou pedir nada, mas quero que tu saibas que, se o Estrela da Amadora ganhar este jogo, tu para o ano continuas na primeira divisão“. “Se não acreditas, telefona ao presidente do Conselho de Arbitragem”, disse ainda. Porém, há muito que Hélder Malheiro havia sido informado que a época passada seria a sua última e não existia hipóteses de continuar a arbitrar. Não ficou provado que uma mensagem posterior enviada por Luciano Gonçalves confirmava o que Pedro Garcia havia relatado ao árbitro.
Na sequência da demissão de Duarte Gomes, entretanto substituído no cargo por João Ferreira, a FPF remeteu para o Ministério Público os factos relatados pelo antigo diretor técnico.
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