Sporting a investir, FC Porto na expectativa, Benfica em aberto e jackpot no SC Braga: o mercado dos candidatos
Rodrigo Zalazar e Issa Doumbia, parte da revolução de plantel promovida pelo Sporting para 2026/27
Gualter Fatia
Há quem tenha apostado na revolução, quem tenha optado por manter as bases, quem tenha vendido boa parte da mobília e também quem ainda procure oportunidades. Antes do arranque da I Liga, assim está o panorama do mercado das quatro principais equipas do campeonato
A I Liga arranca esta sexta-feira com muitas casas ainda à espera de acabamentos. Testando o mercado mais cedo ou menos, FC Porto, Sporting, Benfica e SC Braga não chegam à 1ª jornada do campeonato com planteis totalmente fechados: até 4 de setembro, data do fecho do mercado, o vai-e-vem de futebolistas será uma realidade.
Ainda assim, as abordagens serão necessariamente diferentes: há quem tenha apostado na revolução, quem tenha optado por manter as bases, quem tenha vendido boa parte da mobília e também quem ainda procure oportunidades. Entradas estarão dependentes de saídas. Mas, para já, o cenário é o que se segue.
FC Porto
Tem sido um mercado para lá de modesto do FC Porto, equipa claramente na expectativa face à narrativa do mercado. Diogo Costa e Victor Froholdt, para já, mantêm-se no plantel e o guarda-redes parece mais próximo de testar as águas do mercado do que o médio, que só sairá seguramente pela cláusula de rescisão de 85 milhões de euros. O Newcastle, depois de vender Sandro Tonalli, Anthony Gordon e, quase oficialmente, Bruno Guimarães, está interessado.
De resto, a grande compra, até ver, do FC Porto é, na verdade, uma confirmação: Jakub Kiwior, depois do empréstimo do Arsenal, é em definitivo jogador dos dragões, custando 17 milhões. Hwang In-beom chegou por menos de 5 milhões, um jogador com pouca margem de lucro, mas com expectativas de retorno desportivo imediato. André Silva regressou a casa a custo zero.
Nas saídas, para já, apenas as confirmações de Danny Namaso e Ángel Alarcón, que já se encontravam emprestados na época passada.
Até ao final do mercado, o FC Porto procurará um defesa esquerdo que possa dar garantias de titularidade e um avançado que possa dar golos na ausência de Samu, a recuperar de lesão. De resto, é o que os milhões ditarem: se Diogo Costa sair, a compra de um guarda-redes titular passará a ser uma prioridade.
Principais entradas: Jakub Kiwior (Arsenal, 17M), Hwang In-beom (Feyenoord, 4,5M), André Silva (Elche, custo zero)
Principais saídas: Danny Namaso (Auxerre, 5M), Ángel Alarcón (Utrecht, 2M)
Hwang In-beom reforça o meio campo do campeão FC Porto
MANUEL FERNANDO ARAÃJO
Sporting
A final da Taça de Portugal perdida para o Torreense cheirou a fim de ciclo. E, ao contrário do que é costumeiro no futebol, a corda não quebrou do lado do treinador. Frederico Varandas não só manteve a confiança em Rui Borges como disponibilizou-se para construir uma equipa mais à imagem do transmontano, limpando os últimos resquícios de Ruben Amorim do balneário.
A saída de Morten Hjulmand era natural e esperada. Haveria um acordo tácito para deixar sair o médio, capitão e líder do meio-campo leonino, instrumental nos últimos dois títulos do Sporting. Mais surpreendente terá sido a saída de Francisco Trincão. Ousmane Diomande e Pedro Gonçalves continuam no plantel mas, ao que tudo indica, para sair. Pelo menos o mercado do Sporting acautelou estas ausências.
Estas e outras: o Sporting atacou cedo o mercado e mexeu sem contemplações no meio-campo, que esta época será mais alto, mais forte, mais físico. Rodrigo Zalazar foi dos primeiros a chegar, com os leões a pagarem 30 milhões de euros, soma recorde entre dois clubes da I Liga, pelo uruguaio, que pode fazer várias posições da linha média para a frente.
Sergi Altimira será o pensador, Silas Andersen veio para crescer e Issa Doumbia foi um dos destaques da pré-temporada, omnipresente, com capacidade de surgir na área, fisicamente possante. Ibrahima Ba, que o Benfica também queria, chegou mal se soube da possível transferência de Diomande para a Premier League, que ainda carece de confirmação. O australiano Irankunda deverá ser o extremo pedido por Rui Borges, que procurará ainda uma alternativa na esquerda a Maxi Araújo.
Nas saídas, além de Hjulmand e Trincão, já confirmados e que engordaram os cofres de Alvalade, o grande encaixe deu-se com Geovany Quenda, há muito contratado pelo Chelsea e que se manteve em Alvalade esta época por empréstimo. Morita saiu sem custos.
Principais entradas: Rodrigo Zalazar (SC Braga, 30M), Ibrahima Ba (Famalicão, 21,25M), Issa Doumbia (20,5M), Sergi Altimira (18,25M), Silas Andersen (7,25M), Pedro Lima (AFS, 4M) e Jesse Derry (Chelsea, empréstimo)
Principais saídas: Geovany Quenda (Chelsea, 51M), Morten Hjulmand (At. Madrid, 40M), Francisco Trincão (Al Ahli, 39,3M), Alisson (Nápoles, 16,5M), Morita (Hull City, custo zero)
Doumbia marcou e assistiu frente ao Forest
Carlos Rodrigues
Benfica
Uma história de incertezas: assim tem sido o mercado do Benfica. Até setembro, é expectável que muito mude no grupo à disposição de Marco Silva, entre saídas e entradas, que o treinador do Benfica já admitiu que serão certas.
Até ver, em matéria de caras novas, contam-se Jakub Kamiński, polaco que custou 17 milhões de euros e que pouco ou nada tem mostrado. Clément Lenglet dá ao Benfica um bem necessário central de pé esquerdo - chegou a custo zero, mas o histórico de problemas físicos assusta. Com a saída de António Silva, o Benfica terá necessariamente de contratar pelo menos um central até ao fim da janela de transferências.
O grande investimento chama-se, para já, Sudakov, agora em definitivo no Benfica depois de uma primeira época emprestado pelo Shakhtar, tal como Enzo Barrenechea, contratado em definitivo ao Aston Villa. Jhon Durán chega por empréstimo e já marcou em jogos oficiais, mas ainda há dúvidas sobre um jogador que tem somado mais clubes do que sucessos.
João Palhinha é nome recorrentemente falado para reforçar o meio campo, ainda que a melhor notícia para Marco Silva fosse a continuidade de Andreas Schjelderup, que saiu valorizado do Mundial.
Jhon Durán trará uma barrigada de golos ao Benfica?
TIAGO PETINGA
SC Braga
Saiu o jackpot na Pedreira. Com as vendas de Lukas Hornicek e Rodrigo Zalazar, o SC Braga embolsou mais de 60 milhões de euros. Boas notícias para as contas dos minhotos, menos para Carlos Vicens, que perde qualidade no plantel.
Para a nova temporada, o SC Braga tem sido contido nos valores, mas contratou em quantidade. Apostou essencialmente em reforçar o setor que mais problemas lhe tem dado nas anteriores temporadas, a defesa. Diogo Travassos fez o percurso oposto ao de Zalazar: em Braga tentará confirmar as boas perspectivas que já trazia de Alvalade. Adrian Bajrami, com formação no Benfica, regressa a Portugal pelas portas do 4º classificado da última época, com Sergio Barcia, das escolas do Celta, a chegar proveniente da segunda liga espanhola.
Bernardo Fontes é aposta para suprir a transferência de Hornicek para o Newcastle, após duas temporadas de grande nível em Tondela. O guardião brasileiro fez grande parte da formação no SC Braga. Trata-se, por isso, de um regresso. Huseinbasic chega da Bundesliga para uma linha média que perdeu Florian Grillitsch.
Na frente, a chegada de Jonas Wind causa surpresa. O avançado chegou a ser uma das maiores promessas dinamarquesas e aos 27 anos aterra em Portugal para relançar a carreira, depois de uma temporada desapontante no Wolfsburgo. Gabriel Silva, contratado ao Santa Clara, já marca.
Principais entradas: Diogo Travassos (Sporting, 5,5M), Gabriel Silva (Santa Clara, 3,5M), Adrian Barisic (Basileia, 3,5M), Adrian Bajrami (Luzern, 2,8M), Sergio Barcia (Legia, 1,5M), Bernardo Fontes (Tondela, 400 mil), Jonas Wind (Wolfsburgo, custo zero), Denis Huseinbasic (Colónia, custo zero)
Principais saídas: Lukas Hornicek (Newcastle, 30,6M), Rodrigo Zalazar (Sporting, 30M), Djibril Soumaré (Stoke City, 4M), Florian Grillitsch (custo zero)
Gabriel Silva chega a Braga após boas épocas no Santa Clara