Presidente do Belenenses quer criar uma SAD para entrar no clube uma rede de investidores que inclui Lando Norris ou Alexander Zverev
Patrick Morais de Carvalho é presidente do Belenenses desde 2014
Nuno Botelho
Patrick Morais de Carvalho, recandidato à presidente do Belenenses, vai propor aos sócios a criação de uma nova SAD para a entrada de um investidor minoritário que será a APEX, empresa gerida por um português e que, garante, não assumirá o controlo do futebol do clube que joga atualmente na Liga 3
O presidente Patrick Morais de Carvalho, recandidato às eleições do Belenenses, propôs hoje uma SAD para administrar o futebol do clube da Liga 3 e recolocá-lo no escalão principal, apresentando uma empresa de investimento como parceira minoritária.
“Proponho aos sócios que tenham a coragem de acreditar no futuro do Belenenses e, reconhecendo o que alcançámos juntos nos últimos 12 anos, ousemos dar o passo em frente e continuemos o caminho rumo ao nosso lugar”, afirmou o dirigente e líder da candidatura ‘Acreditar no Belenenses - Um caminho com futuro’, numa nota enviada à agência Lusa.
Fundada por portugueses e liderada por António Caçorino, a APEX reúne mais de 100 atletas como investidores e tem um entendimento com Morais de Carvalho, que, se for reeleito no escrutínio de 24 de outubro, submeterá essa parceria à votação dos sócios do clube lisboeta em Assembleia Geral.
Na rede de investidores estão, entre outros, os pilotos Lando Norris, Carlos Sainz e Valtteri Bottas, todos da Fórmula 1, e António Félix da Costa, da Fórmula E, o tenista Alexander Zverev e o antigo ciclista Mark Cavendish.
A APEX já investiu na equipa Alpine, de Fórmula 1, e no Veneza, recém-promovido à Liga italiana de futebol, além de outras parcerias, e foi o único investidor europeu convidado pela Liga de futebol americano (NFL) a participar num consórcio para lançar um novo campeonato nos Estados Unidos.
“Identificámos um acionista minoritário com credibilidade internacional, capacidade financeira, conhecimento e respeito pela história, identidade e especificidades do Belenenses. Tivemos muitas conversas e negociações muito longas, mas chegámos a bom porto. Desenhámos uma parceria em que as partes se respeitarão e trabalharão por um objetivo ambicioso”, frisou.
Patrick Morais de Carvalho é presidente do Belenenses desde 2014
Patrick Morais de Carvalho destacou um “projeto diferenciado” no desporto português, que manterá a maioria do capital social no clube, apesar da transformação da Sociedade Desportiva Unipessoal por Quotas (SDUQ), gestora do futebol dos ‘azuis’, em Sociedade Anónima Desportiva (SAD).
“Nos últimos anos, ouvi dezenas de indivíduos que me chegavam com promessas mirabolantes. Alguns eram credíveis, outros nem por isso. Além disso, todos ultrapassavam uma linha inaceitável: procuravam assumir o controlo do futebol - e o futuro - da nossa sociedade desportiva”, revelou, garantindo que nunca pedirá um “cheque em branco” aos sócios, com os quais quer realizar sessões de esclarecimento e pautar pela transparência.
O líder do Belenenses explicou que a participação da APEX vai decorrer de forma faseada e durante vários anos na futura SAD dos lisboetas, que se tornaram um dos cinco campeões da história do futebol luso em 1945/46.
“Garantimos a cada momento as condições para a reestruturação do Belenenses e a construção de equipas competitivas, que tragam as condições estruturais para alcançar o desejado sucesso, que passa por recolocar o Belenenses na I Liga”, direcionou, numa altura em que os ‘azuis’ estão isolados no comando da Série B da Liga 3, com três vitórias.
Com 77 participações no escalão principal, a última das quais em 2017/18, o Belenenses declarou-se independente da SAD há seis anos, obrigando-a a competir fora do Estádio do Restelo e sem o nome e os símbolos do clube fundador, que recomeçou na terceira e última divisão da Associação de Futebol de Lisboa e alcançou cinco subidas consecutivas até à II Liga.
O clube esteve nos escalões profissionais em 2023/24, mas voltou à Liga 3, enquanto a SAD desceu da II Liga em 2021/22 e ao futebol não profissional na época seguinte, antes de se fundir com o Portalegrense.
Na presidência do clube há 12 anos, Morais de Carvalho testemunhou toda a recuperação do Belenenses, que começou a remodelação do complexo desportivo, liquidou uma dívida de cinco milhões de euros (ME) à banca e pagou 8,7 ME ao abrigo de um Processo Especial de Revitalização (PER).
“Candidato-me a um novo mandato para concluir um caminho que os sócios me confiaram quando, em 2018, afirmámos a nossa diferença e coragem e fomos para o sétimo escalão”, lembrou o único concorrente anunciado às eleições dos órgãos sociais do clube para o triénio 2026-2029.
Do lado da APEX, António Caçorino ressalvou que a empresa “não quer comprar o Belenenses” e planeia “criar as condições estruturais e financeiras para modernizar a gestão, aumentar receitas, valorizar ativos e ajudar a assegurar as duas subidas de divisão que faltam no mais curto tempo possível”.