Paulo Lopo, ex-presidente do Estrela alegadamente visado pelas suspeitas de arbitragem, não foi ouvido pela FPF e PJ
Paulo Lopo liderou a SAD do Estrela da Amadora de 2020 até ao início da época 2026/27, quando vendeu a sua participação a um consórcio alemão
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O antigo líder da SAD do Estrela da Amadora, que vendeu a sua participação, por €40 milhões, no início desta época a um consórcio alemão, defendeu-se em entrevista ao “Record” das suspeitas, investigadas pela Polícia Judiciária, de que o clube da Reboleira terá sido informado, de antemão, das nomeações dos árbitros para as últimas jornadas do campeonato passado
Tem ar de ser cíclico, talvez porque é patológico: o futebol português parece ter queda para nunca se afastar de polémicas com arbitragens. O último clássico no Dragão, entre o FC Porto e o Benfica, deu mais um episódio, mas não tão grave, pelas alegações, quanto a saída de Duarte Gomes da Federação Portuguesa de Futebol (FPF): o antigo diretor técnico nacional de arbitragem abandonou o cargo, em junho, por divergências com Luciano Gonçalves, líder federativo do setor. Soube-se depois, contudo, que em causa estão supostas fugas de informação, interferencias e esquemas para beneficiar um certo clube.
Esse clube era o Estrela da Amadora e a demissão de Duarte Gomes estará ligada ao alegado conhecimento prévio que Paulo Lopo, então líder da SAD, tinha das nomeações dos árbitros para os jogos da equipa da Reboleira.
O ex-árbitro internacional denunciou o caso à FPF, que instaurou um inquérito, via Conselho de Disiplina, a Luciano Gonçalves —entretanto já arquivado—, e enviou documentação que inclui registos de conversas de WhatsApp, capturas de ecrã e registos de chamadas ao Ministério Público —que culminou na abertura de uma investigação, em setembro, por parte da Polícia Judiciária. São “elementos probatórios“, para Duarte Gomes, “mais do que suficientes“, disse o antigo homem do apito à “Antena 1“, resumindo que “se são ilegais, pode ser que a Justiça, que tem essa competência, assim o prove”.
Agora chegou a vez de Paulo Lopo se pronunciar. Já fora do Estrela da Amadora após vender a sua participação na SAD, que comprara por 72 mil euros em 2020, por €40 milhões a um consórcio alemão, do qual fazem parte Thomas Müller e Mats Hummels, campeões do mundo pela Alemanha, o empresário afirmou ter “nenhuma relação de privilégio“ com Luciano Gonçalves, presidente do Conselho de Arbitragem. Em entrevista ao ”Record”, garante que “não telefona” aos árbitro “nem eles [lhe] telefonam” e que “o Estrela não escolhe os árbitros”.
As suspeitas dizem respeito às últimas quatro jornadas do campeonato da época passada, uma delas relativas a Hélder Malheiro, árbitro que terá sido informado, a 11 dias do Moreirense-Estrela, da sua nomeação para o jogo. Paulo Lopo não acha estranho: “Sabe porquê? Não conheço os procedimentos e não sei o que é habitual (...) não faço ideia com que tempo é que sabem.” O empresário relevou também que não foi chamado pela investigação do Conselho de Discplina da FPF: “Se houve ou não algum tema relacionado com a arbitragem, o Estrela não é tido nem achado.”
Nem o foi pela Polícia Judiciária, acrescentou, além de contrariar a alegação de que terão sido oferecidos prémios de um milhão de euros a dirigentes do Conselho de Arbitragem para que certos clubes da I Liga fossem favorecidos, em campo, nas derradeiras rondas da última edição do campeonato. “O Estrela certamente que não ofereceu, nem eu, e é estranho que se pense isso”, defendeu ao jornal “Record”, explicando: “Num mundo em que se quiser transferir 50 mil euros da sua conta para outra tem de preencher 50 papéis, não percebo como seria possível para algum clube, fosse ele qual fosse, pagar €1 milhão.”
“Só em fantasia é que se pode imaginar”, concluiu o antigo dirigente, sem intenções de voltar a assumir um cargo no futebol.