Futsal

Seja na Cidade do Futebol ou em San Marino, a FIFA quer é que se jogue futsal: há quase dois milhões de praticantes em 160 países

Portugal, vice-campeão da Europa, é referência para países que só agora estão a apostar na modalidade
Portugal, vice-campeão da Europa, é referência para países que só agora estão a apostar na modalidade
Oliver Hardt - UEFA

Há cerca de 2 milhões de jogadores de futsal registados em todo o mundo e a FIFA tem apoiado a criação de infraestruturas para que o número continue a crescer. “Houve um claro progresso”, diz o organismo

De forma espontânea, é mais fácil encontrar dez pessoas para jogar do que 22. Nas ruas, os campos de livre acesso ajustam-se a esse número de interessados e, normalmente, ficam-se pelas balizas de 3x2 metros. Devido às semelhanças que tem com o que se faz nos parques de todo o mundo, o futsal é a forma primária de andar aos chutos à bola.

Talvez porque uma carreira no futebol ainda é mais atrativa do que no futsal, a naturalidade com que se joga em campos reduzidos, no exterior, não é proporcional à quantidade de pessoas que transita para a competição dentro de pavilhões. Embora pareça condenado a ser o parente pobre do irmão que se joga na relva, o futsal está a fazer o seu próprio caminho.

A 11 de fevereiro de 2026, data em que a FIFA fez o raio-x que a Tribuna Expresso solicitou após Portugal jogar a sua terceira final seguida do Campeonato da Europa, existiam 1.958.309 jogadores de futsal registados. A evolução da modalidade e as especificidades técnicas exigidas agradecem o número “histórico” de praticantes anunciado pelo organismo.

O reflexo do “crescimento significativo” nota-se na diversidade encontrada nos torneios de seleções. No último Mundial masculino, em 2024, marcaram presença sete países que nunca jogaram um Mundial de futebol: Tajiquistão, Venezuela, Líbia, Cazaquistão, Afeganistão, Tailândia e Uzbequistão. Quatro deles foram além da fase de grupos. Em 2025, realizou-se a primeira edição de sempre do Mundial feminino, que contou com Filipinas, Tanzânia e Tailândia, exemplos de igual semelhantes multiculturalidade.

A diversidade reflete a distribuição alargada do futsal. Dos 211 membros da FIFA, 160 já desenvolvem atividades relacionadas com a modalidade. “Desde o início dos anos 2000, houve um claro progresso em termos de ligas organizadas, de participação de jovens, de campeonatos femininos e de visibilidade geral”, destaca um porta-voz da FIFA.

Para muitos dos países em desenvolvimento, Portugal é o modelo a seguir. Em novembro de 2024, foi inaugurada, na Cidade do Futebol, a FPF Arena que se tornou a casa das seleções nacionais. A obra contou com o apoio da FIFA, que desenvolveu projetos semelhantes em locais como San Marino, Myanmar, Tailândia, Costa Rica ou Andorra.

As ajudas, dependentes de candidatura, estendem-se à formação de treinadores, árbitros, ao desenvolvimento de campeonatos nacionais e às despesas com as viagens das equipas. Apesar destas serem as vias preferenciais de apoio à evolução, a FIFA também concedeu “mais de $100 milhões” (o equivalente a cerca de €84 milhões) através de torneios, desde o primeiro Mundial em que se intrometeu, em 1992.

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