Cuidado com as injeções no pénis durante os Jogos Olímpicos de Inverno. A agência mundial de anti-doping está atenta
Marius Lindvik vai defender o título olímpico após escândalo de manipulação de equipamento
Tom Weller
O jornal alemão “Bild” revelou que os atletas dos saltos de esqui podem estar a injetar ácido hialurónico nos genitais de modo a utilizarem fatos mais largos que melhorem a aerodinâmica. Com o “Penisgate”, como lhe chamou a publicação, pretende-se criar um efeito paraquedas e aumentar a distância do voo
Depois dos problemas que Tomàs-Llorenç Guarino Sabaté teve para garantir que podia usar a música do filme de animação “Minions” no seu exercício de patinagem artística, as narrativas inusitadas dos Jogos Olímpicos de Inverno não se esgotaram.
O “Bild” tem andado especialmente atento à maneira como as injeções de ácido hialurónico no pénis podem influenciar o desempenho dos saltadores de esqui. As notícias publicadas no jornal alemão mereceram atenção na conferência de imprensa de Olivier Niggli antes dos Jogos Olímpicos de Inverno. O diretor-geral da Agência Mundial de Anti-Doping (WADA, na sigla inglesa) não se alongou na análise, admitindo que não está “a par” dos efeitos do tuning genital. “Se algo vier à superfície, vamos ver se está relacionado com doping. Não comentamos outros assuntos que possam melhorar o desempenho.”
De facto, o ácido hialurónico não consta da lista de substâncias proibidas pela WADA. Aliás, pode inclusivamente ser utilizado corriqueiramente para aumentar os lábios. Neste caso, a injeção de ácido hialurónico permite um aumento de um a dois centímetros da circunferência do pénis, o suficiente para justificar que os saltadores utilizem um fato mais largo e que ajuda a criar um efeito paraquedas, precioso na tentativa de obter uma melhor marca.
Os saltos de esqui têm regras apertadas em relação aos equipamentos utilizados. Os atletas são radiografados através de um mecanismo 3D que lhes tira as medidas e garante que os fatos ficam justos na zona das virilhas. No caso dos homens é regularmente permitido um excesso de apenas três centímetros.
Uma quantidade de tecido superior entre as pernas permite ao atleta aguentar mais tempo no ar e confere-lhe vantagem competitiva em relação a quem cumpre as normas. “Cada centímetro extra conta. Se o teu fato tem mais 5% de área, voas mais”, explicou Sandro Pertile da Federação Internacional de Esqui e Snowboard (FIS), responsável pela competição masculina. Apesar da revelação do método, na antecâmara dos Jogos Olímpicos de Inverno, nenhum saltador foi penalizado por, eventualmente, recorrer a ele. No entanto, desde 2025 que a FIS apertou o cerco à batota no equipamento.
Johann André Forfang, um dos esquiadores noruegueses que cumpriram uma suspensão após usarem fatos ilegais em provas de saltos de esqui
Maddie Meyer
Johann André Forfang, um dos esquiadores noruegueses que cumpriram uma suspensão após usarem fatos ilegais em provas de saltos de esqui
Maddie Meyer
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Após uma reunião que se realizou no início do ano passado em Vilamoura, o antigo saltador Mathias Hafele foi anunciado como reforço da equipa de controlo de equipamento da FIS. Na sequência do superior escrutínio, foram implementados procedimentos como a medição 3D dos atletas em semanas de competição na presença de dois fiscais e um médico. Também foi aumentada a supervisão dos comportamentos dos atletas antes e após a realização dos saltos.
O caso norueguês
A FIS redobrou a atenção devido a um incidente visto na Noruega como um escândalo. Nos Nordic World Ski Championships, em Trondheim, o equipamento de dois atletas da casa sofreu ajustes após já ter passado na inspeção. As alterações foram feitas pelo treinador, Magnus Brevig, e pelo técnico de equipamentos, Adrian Livelten, ambos ao serviço do campeão olímpico, Marius Lindvik, e de Johann André Forfang.
Os dois responsáveis, apanhados num vídeo, foram condenados a 18 meses de suspensão pelas costuras colocadas na zona das virilhas com a intenção de aumentar a aerodinâmica. Os atletas alegaram não ter conhecimento do sucedido e foram afastados da competição durante apenas três meses, pena que só vão cumprir no verão.
Em Milão-Cortina, Marius Lindvik vai defender o título olímpico (large hill) depois de ter batido o japonês Ryoyu Kobayashi por só 3,3 metros em 2022. Parece óbvio que todos os detalhes importam.