A medalha da diversão vai para Vanina Guerillot, que conseguiu o melhor resultado em Jogos de Inverno numa prova que até teve tigres
Vanina Guerillot também já tinha estado nos Jogos de Pequim, em 2022
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Vanina Guerillot tornou-se na primeira portuguesa a participar em duas edições dos Jogos Olímpicos de Inverno. Em slalom gigante (esqui alpino), a atleta de 23 anos conseguiu o 41º lugar e melhorou a prestação de 2022, quando foi 43ª. Depois do calvário, Federica Brignone ganhou mais um ouro e a prata foi dividida
A parte curiosa de dois terços dos atletas da comitiva portuguesa serem da mesma família é notar-lhes as semelhanças. Exceto o colete, nada nas descidas de Vanina Guerillot indiciava que estivesse a competir nos Jogos Olímpicos de Inverno. Não existia pressão, apenas alegria. Num desporto em que importa evitar que o tempo corra pouco, estava a usufruir tanto de cortar o vento que não se importava de passar mais um bocado na pista.
Começamos a perceber que este genuíno divertimento vem de família. Já o irmão, Emeric, sabe o que faz nos esquis. Ao contrário do estreante, Vanina repetiu a presença nos Jogos Olímpicos de Inverno, tornando-se na primeira mulher portuguesa a estar presente em duas edições. Além disso, melhorou o 43º lugar que tinha conseguido no slalom gigante em Pequim 2022.
Vanina Guerillot conhece melhor o lado francês dos Alpes, onde vive, mas não se deu mal na outra encosta da cordilheira. A participação da esquiadora de 23 anos começou com uma manga que demorou 1:10,07 e a deixou na 48ª posição.
A pista de Olimpia delle Tofane mandou à neve muitas esquiadoras, que não conseguiram terminar a prova. Ao todo, foram 20 aquelas que ficaram impossibilitadas de terminar. Vanina não fez parte desse grupo, fazendo uma segunda manga ainda melhor do que a primeira. 1:15,49 foi o 40º melhor tempo, o que a fez terminar na 41ª posição (+12,06 do que a vencedora).
Brignonevoltou a atacar
A partir da segunda manga, o esqui alpino trata de maneira diferente as primeiras 30. As esquiadoras do topo partem na ordem inversa à da classificação e discutem entre si as medalhas. Depois, já com os festejos a decorrer, entram de novo em ação as atletas da parte mais baixa da tabela.
A primeira manga foi extremamente nivelada. A albanesa Lara Colturi, a sueca Sara Hector e a norueguesa Thea Louise Stjernesund registaram todas o mesmo tempo na primeira manga (1:03,97), o 4º melhor.
Federica Brignone adiantou-se (1:03,23) e existiam perspetivas de que pudéssemos voltar a ouvir a sua história de superação ser contada. 315 dias depois de ter sofrido um acidente que lhe causou múltiplas fraturas na perna esquerda, exigindo que estivesse três meses sem andar, a italiana foi campeã olímpica no Super-G. Para não existirem dúvidas quanto à bravura do feito, elavoltou a ser ouro no slalom gigante. O capacete animalesco, com a imagem de um tigre, faz jus à sua resiliência.
Federica Brignone juntou o ouro no slalom gigante ao do Super-G
Ezra Shaw
No conjunto das duas mangas, a esquiadora da casa marcou um tempo de 2:13,50. Sara Hector e Thea Louise Stjernesund (2:14.12, +0,62 da vencedora) conseguiram a proeza de voltarem a igualar-se e, por isso, dividiram a medalha de prata. O melhor tempo da segunda manga (2:14,63) ficou para outra italiana, Asja Zenere.
O dia só não foi melhor para Vanina Guerillot, porque a sua referência no esqui alpino, Mikaela Shiffrin, desiludiu. A norte-americana que se tornou a primeira a conseguir 100 vitórias em Taças do Mundo não foi além do 11º lugar.