Jogos Olímpicos de Inverno 2026

Quatro operações depois e sem sair da cama desde a queda nos Jogos Olímpicos, Lindsey Vonn está de regresso aos Estados Unidos

Vonn a descer a montanha do Centro de Esqui Alpino de Tofane, em Cortina, nos treinos que antecederam a prova onde sofreria uma gravíssima queda, que marcou o arranque dos Jogos Olímpicos de inverno
Vonn a descer a montanha do Centro de Esqui Alpino de Tofane, em Cortina, nos treinos que antecederam a prova onde sofreria uma gravíssima queda, que marcou o arranque dos Jogos Olímpicos de inverno
Mattia Ozbot

A esquiadora norte-americana regressou a casa num avião particular, ainda deitada numa cama de hospital. Nos Estados Unidos, será novamente operada, numa recuperação que se prevê longa e difícil a uma lesão que, diz, “é muito mais severa do que uma simples fratura na perna”

O momento era solenemente olímpico. Porque era Lindsey Vonn, de regresso a uns Jogos aos 41 anos, pouco mais de 12 meses depois de anuciar o regresso à competição, após quase seis anos depois das lesões levarem a melhor na luta contra o seu joelho direito. E também, senão mais ainda, porque o fazia com uma rotura total no ligamento cruzado anterior cruzado do joelho esquerdo, chutando para o lado as impossibilidades físicas em troca de uma Iast dance no palco mais fundamental de todos.

A tentativa, sabemos, vimos e, pior que tudo, ouvimos, durou 13 segundos no downhill logo ao segundo dia de competições dos Jogos Olímpicos de Milão-Cortina. Um braço de Vonn ficou preso numa das portas da descida e a queda foi inevitável. O horror da incapacidade da norte-americana em se mover e os gritos de dor a ecoar na silenciosa montanha não auguravam nada de bom e o primeiro relatório médico tornado público, que falava de uma “lesão complexa na tíbia da perna esquerda”, muito menos.

Depois de alguma reserva inicial, quebrada apenas por discretas atualizações do hospital italiano onde Vonn foi operada por duas vezes logo nas horas seguintes à queda, foi a própria atleta norte-americana a tomar as rédeas dos seus sinais de vida. E já foi por ela que se soube que a uma segunda operação seguiu-se uma terceira e depois uma quarta. E que na segunda-feira a três vezes medalhada olímpica regressou aos Estados Unidos, onde a espera uma nova ida ao bloco operatório e uma longa recuperação para conseguir, em primeiro lugar, levantar-se da cama onde se deitou há nove dias e de onde ainda não se levantou.

“A minha perna ainda está feita aos pedaços, mas finalmente estou em casa”, escreveu Vonn esta terça-feira no Instagram, como legenda de um vídeo onde se documenta o processo de transporte médico da atleta de Itália para os Estados Unidos, num avião privado. No mesmo texto, a norte-americana refere que a lesão “é muito mais severa do que uma simples fratura na perna” e que ainda está a refletir sobre os próximos passos.

Os gritos de dor de Lindsey Vonn após cair no início da prova de downhill dos Jogos Olímpicos de Inverno
Handout

Antes de regressar aos Estados Unidos, Lindsey Vonn escreveu um longo texto no Instagram onde voltou a sublinhar que conhecia os riscos de tentar uma descida olímpica não estando em perfeitas condições físicas. “Não me coloquei na linha de partida desconhecendo as potenciais consequências. Eu sabia o que estava a fazer. Eu escolhi correr o risco”, escreveu, frisando, no entanto, que estava segura também que era capaz de competir mesmo lesionada.

“Vou sempre arriscar uma queda sabendo que estou a dar tudo, em vez de não o fazer e depois arrepender-me. Para ser totalmente honesta, eu estava mais forte fisicamente naquele momento do que alguma vez estive no passado. Certamente muito mais forte do que quando terminei a minha carreira em 2019, quando fui bronze nos Mundiais. E mentalmente estava perfeita: focada, faminta, agressiva e ainda assim completamente calma”, referiu ainda a detentora de 16 Globos de Cristal e de 84 etapas da Taça do Mundo.

No mesmo texto, a atleta lembra que mesmo sentindo-se preparada naquele momento “nada na vida é garantido”. Ainda assim assegura não sentir “qualquer arrependimento” e que o amor que tem pelo esqui “continua intacto”. E diz-se “ansiosa pelo momento” em que vai conseguir estar de novo “no topo da montanha”, piscando o olho, quem sabe, a um possível regresso à competição depois de uma recuperação que será longa e dura.

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