Jogos Olímpicos de Inverno 2026

Já se nota que estamos com saudades? Eis algumas das melhores fotografias dos Jogos Olímpicos de Inverno

Já se perguntaram qual será a sensação de acelerar a mais de 100 km/h deitado sobre um trenó, pés à frente, sem volante? O olhar de Daria Olesik, da Equipa de Atletas Independentes (que é como quem diz, russa), denuncia muita coisa
Já se perguntaram qual será a sensação de acelerar a mais de 100 km/h deitado sobre um trenó, pés à frente, sem volante? O olhar de Daria Olesik, da Equipa de Atletas Independentes (que é como quem diz, russa), denuncia muita coisa
Carmen Mandato

Da parelha-maravilha do Japão na patinagem ao cabelo em padrão abelha de Alysa Liu. Da cabeça de tigre de Federica Brignone à felicidade de Eileen Gu com uma medalha de prata. Estas são algumas das imagens icónicas que ficaram dos Jogos Olímpicos de Milão-Cortina D’Ampezzo

Como escreveu o Pedro Barata, uma rotina não é rotina caso se proponha a ser rotineira tão-só por duas semanas, podemos ser criaturas de hábitos mas continuamos a precisar de tempo para nos rotinarmos a algo, só que esta conversa que podia ir desaguar nos costumes humanos pega no afluente dos Jogos Olímpicos, quando são eles o proponente a gente ilude-se a pensar que já está rotinada em ter dia sim, dia sim, desporto de manhã à noite, e não do tipo monocromático que enche os canais de televisão em Portugal.

Foram duas semanas de inverno a entrar pelos ecrãs dentro: o curling e os seus a esfregarem a superfície gelada de um pavilhão (não pareceu que acontecia todas as manhãs?); o esqui alpino, nos entretantos, a enviar viciados em velocidade colina abaixo nalguma das suas disciplinas; vinha uma dose de cross-country servida à hora de almoço; à tarde um biatlo para nos fazer imaginar que uma pessoa com esquis e uma espingarda à tiracol mete respeito; e à noite vinha a patinagem artística, os fatos ornamentados dos atletas e as suas escolhas musicais para acompanharem saltos triplos e quádruplos.

Uma qualquer outra variação de preenchimento do dia pode ser usada como exemplo. Aos poucos, vimos os nomes já badalados de Mikkaela Shiffrin, Ilia Malinin, Eileen Gu, Chloe Kim, Marc Odermatt, Alysa Liu, Johannes Høsflot Klæbo ou Lindsey Vonn, entre desgraças e alegrias, derrotas e vitórias, surgirem nos holofotes da redoma olímpica dos Jogos de Milão-Cortina, estes pintados a branco, tu-cá-tu-lá com a neve, cheios de elementos estranho aos hábitos acalorados de Portugal.

Mas, como os seus manos veraneantes, os Jogos de inverno encantam pela raridade quadrienal e por serem o culminar de anos de sacrifício, dedicação e almejo por parte de milhares de atletas. Vê-los a triunfar ou a ceder, a satisfazerem a promessa do seu potencial ou a ruírem sob a pressão de terem de render no momento, provavelmente, mais fulcral das suas carreiras, é do mais humano que há: coloca-nos, em simultâneo, perante o quão é possível uma pessoa empurrar o teto da sua capacidade e a fragilidade de tudo pode desmoronar num instante.

Daqui a quatro anos, felizmente, há mais. Infelizmente, ainda faltam quatro anos. Até lá, ficam estas fotografias dos Jogos de Milão-Cortina.

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