Jogos Olímpicos de Paris 2024

Participou no concurso de afundanços da NBA, mas foi o voleibol de praia que levou Chase Budinger a Paris

Participou no concurso de afundanços da NBA, mas foi o voleibol de praia que levou Chase Budinger a Paris
Michael Reaves

Até conseguir, praticou voleibol e basquetebol em simultâneo. Quando teve que escolher, a paixão guiou Chase Budinger para uma carreira na NBA que acabou precocemente devido a lesões. O regresso ao voleibol levou-o aos Jogos Olímpicos

Muito se pode fazer sendo portador da capacidade de tirar os pés do chão. Chase Budinger nasceu com esse talento e tem diversificado o uso que faz dele.

O concurso de afundanços da NBA é um pavonear de capacidade atlética. Seleciona-se uma companhia aérea composta pelos melhores voadores para avaliar o nível de espetacularidade que conseguem imprimir ao ato de enterrar a bola no cesto. Há quem salte por cima de carros, há quem salte por cima de pessoas. No final, a originalidade também conta.

Chase Budinger participou na competição em 2012 quando fazia parte da liga norte-americana de basquetebol. Não conseguiu ganhar, mas demonstrou toda a habilidade que tem para descolar. Uma coisa é certa: quem se consegue catapultar para o aro de uma tabela de basquetebol, colocado a 3,05m do solo, também o consegue fazer em direção ao topo da rede de voleibol de praia masculino, que se ergue a 2,43m da areia.

O californiano teve uma carreira de sete anos na NBA. Passou pelos Houston Rockets, Minnesota Timberwolves, Indianan Pacers e Phoenix Suns antes de rumar à Europa. Na última época da carreira, representou os espanhóis do Baskonia. As lesões massacraram-lhe a ideia de continuar a jogar basquetebol e decidiu retirar-se da modalidade em 2017.

Possivelmente, há muitos Cristianos Ronaldos do ciclismo, do andebol ou do skate que só não se tornaram melhores do mundo numa modalidade, porque nunca a experimentaram. No caso de Chase Budinger, aconteceu o contrário. O difícil foi escolher apenas uma.

Apesar de não ter sido um jogador de basquetebol banal, dificilmente o norte-americano teria possibilidades de fazer parte da glamorosa seleção que vai estar nos Jogos Olímpicos 2024, muito menos aos 36 anos. O voleibol de praia deu-lhe a hipótese de marcar presença em Paris a competir em dupla com Miles Evans na praia artificial montada diante da Torre Eiffel.

Chase Budinger era um jovem indeciso. Durante a adolescência, em simultâneo, praticou voleibol (indoor) e basquetebol. Teve a sorte de ser bom nos dois e o azar de, numa fase mais adiantada do percurso, ter que optar por uma das modalidades. Quando rumou à Universidade do Arizona, a paixão pelo basquetebol levou a melhor.

Nem o facto de ter sido considerado Melhor Jogador do Ano dos Estados Unidos, enquanto frequentava o ensino secundário, o prendeu ao voleibol. O portal The Ringer refere que, num estágio da seleção sub-18 dos Estados Unidos, Budinger passou um dia de folga a lançar bolas de voleibol ao cesto.

Em 2009, foi escolhido pelos Detroit Pistons na 44.ª posição do Draft da NBA, sendo trocado de seguida para os Houston Rockets. O contacto com o voleibol passou a estar limitado a desafios com amigos – entre os quais Richard Jefferson, Luke Walton, Steve Nash e Blake Griffin, figuras conhecidas da NBA – até que, em 2018, se estreou no circuito de voleibol de praia dos Estados Unidos, sendo considerado Rookie do Ano.

Chase Budinger e Miles Evans chegam a Paris como a 13.ª melhor dupla do mundo. O ranking é liderado por dois jovens suecos de 22 anos, Jonatan Hellvig e David Ahman.

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