Portugal em estreia nos Jogos Paralímpicos de Inverno: “Não sabemos muito bem o que é que vai acontecer“
Uma das pistas que foram usadas nos Jogos Olímpicos de Inverno e que será também utilizada nos Paralímpicos
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Mais de 650 atletas vão participar nos Jogos Paralímpicos de Inverno em Milão-Cortina d’Ampezzo, que arrancam na sexta-feira. Portugal leva apenas um à prova: Diogo Carmona. O presidente da Federação de Desportos de Inverno e chefe de missão considera ser já uma vitória o snowboarder se ter qualificado para a competição
A estreia de Portugal nos Jogos Paralímpicos de Inverno é um momento histórico e uma oportunidade única para a divulgação dos desportos adaptados de neve, considera o chefe da missão nacional à competição que começa na sexta-feira, em Milão-Cortina d'Ampezzo, Itália.
“É histórico, porque é a primeira vez que Portugal tem a possibilidade de ter um atleta qualificado para os Jogos Paralímpicos de Inverno. É uma oportunidade única para que os desportos adaptados de inverno possam ser divulgados, para que portugueses percebam que estes desportos podem ser praticados em Portugal”, disse Pedro Flávio à agência Lusa.
O chefe da missão portuguesa aos Jogos Paralímpicos, que há cerca de um mês liderou a comitiva nacional que participou nos Jogos Olímpicos de Inverno, também disputados em Milão e Cortina d’Ampezzo, vê a participação de Diogo Carmona, o protagonista da estreia nacional, como uma possibilidade de crescimento futuro.
“Acho que esta participação, é uma oportunidade para, no futuro, virmos a ter mais atletas, mais atletas de desporto adaptado”, disse, considerando que esta estreia, agendada para dia 14 na prova de banked slalom da modalidade de snowboard, ajuda a mostrar que as modalidades adaptadas de Inverno podem ter um papel importante no desporto para pessoas com deficiência.
Mais do que perspetivar resultados desportivos, tarefa “difícil, sobretudo devido à ausência de histórico”, Pedro Flávio destaca a importância dos resultados que poderão ser conseguidos ao nível do aumento da prática, que contribuirão para o surgimento de novos talentos.
“Ao invés dos Jogos Olímpicos de Inverno, em que nós temos um histórico e tínhamos objetivos bem definidos de melhoria dos resultados anteriores, de crescimento, aqui, como é a primeira participação, nós não sabemos muito bem o que é que vai acontecer”, explicou.
No entanto, o chefe de missão aos Jogos Paralímpicos, que decorrem entre sexta-feira e 15 de março, garante o foco total e o trabalho de preparação feito pelo snowboarder português, de 28 anos.
O símbolo dos Jogos Paralímpicos de Milão-Cortina na pista de curling da competição
“O Diogo está muito focado, com muita vontade de participar nestes Jogos Paralímpicos, fez um trabalho notável até aqui, em conjunto com o seu treinador, o Nuno Marques”, disse, lembrando que recentemente o atleta teve recentemente uma lesão.
Pedro Flávio, que também preside à Federação dos Desportos de Inverno de Portugal, lembrou que apesar da lesão, que o obrigou a um período de recuperação, Diogo Carmona, “conseguiu, mesmo assim, atingir o seu objetivo, que foi fazer pontuação suficiente para ser qualificado para estes Jogos Paralímpicos de Inverno”.
“Eu acho que já é uma vitória ter chegado até aqui. Tudo o que ele conseguir mais na sua prestação nesta competição será, sem dúvida nenhuma, excelente para o desenvolvimento do desporto adaptado de Inverno”, considerou.
Pedro Flávio vê o mediatismo de Diogo Carmona, que participou em várias séries televisivas, como uma mais-valia na divulgação dos desportos de Inverno para pessoas com deficiência em Portugal.
“Eu acho que podemos também tirar um bocadinho partido disso, porque alguns media, por exemplo, que não são tão virados para o desporto, acabam por seguir um bocadinho a história do Diogo pela sua ligação a outros meios, nomeadamente a televisão”, considerou.
Diogo Carmona, que perdeu parte esquerda depois de ter sido atropelado por um comboio, é um dos mais 650 atletas, de 50 países, que vai competir nos Jogos Paralímpicos de Inverno, que começam na sexta-feira.