Quem não gosta do Bodø/Glimt?
O clube do Círculo Polar Ártico é o primeiro da Noruega a chegar aos oitavos de final da Champions. E a sua fava a calhou ao Sporting no sorteio
Atualizado às 12h10
O clube do Círculo Polar Ártico é o primeiro da Noruega a chegar aos oitavos de final da Champions. E a sua fava a calhou ao Sporting no sorteio
Atualizado às 12h10
Editor de Desporto
Um pai fã de bola estava de férias com o filho no Norte da Noruega, parou em Bodø, bateu à porta do estádio, disse que o percurso recente do clube o fascinava e a pessoa que os recebeu logo perguntou se queriam ver, e tocar, no troféu de campeão norueguês conquistado recentemente. A historieta contada por alguém na rede social X, no dia seguinte ao Bodø/Glimt eliminar o Internazionale, da Liga dos Campeões, não encapsula o encanto do pequeno clube de uma terra com pouco mais de 50 mil habitantes, embora seja ilustrativa.
Seja nesses pequenos gestos ou nos grandes palcos, como o Estádio Giuseppe Meazza, em Milão, onde superou, na Champions, o terceiro adversário seguido dos principais campeonatos europeus (Big 5), não há equipa que mais encante na competição do que a norueguesa. Neste ano civil de 2026 já ganhou também ao Manchester City e Atlético de Madrid, estando, na prática, em regime de pré-época: o campeonato do seu país acabou no final de novembro e só arranca de novo a meio de março.
A geografia do Bodø/Glimt, com sede dentro do Círculo Polar Ártico, aliada ao seu plantel, onde predominam jogadores noruegueses, atesta a humildade do clube, que sai reforçada pela força das comparações. Bastam duas: confiando no site Transfermarkt, a diferença do valor de marcado do seu plantel para o do Inter, líder da série A e finalista de duas das últimas três Ligas dos Campeões, ronda os €600 milhões, e, acreditando no que se diz ser a folha salarial da equipa (ronda os €170 mil semanais), um só jogador do Manchester City (Mateo Kovacic) recebe o mesmo que todos os noruegueses juntos.
Sem estrelas cintilantes, o Bodø/Glimt está nos oitavos de final da Champions — onde poderá calhar ao Sporting, consoante o sorteio desta sexta-feira (11h) —, onde levará o seu campo de relva artificial e estádio com espaço para pouco mais de oito mil pessoas além de Kjetil Knutsen, o treinador de tiradas workaholic, que lá chegou em 2017, ao deixar a família a 1500 km de distância. “Tens de te focar a 100% no trabalho. Sem eles fico com mais tempo livre e posso usá-lo a trabalhar”, disse quem ficou a viver a 100 metros do recinto.
O treinador tem rejeitado convites do estrangeiro por querer ganhar com gente de quem gosta e sentir que todos sentem o mesmo. É o carinho familiar de Bodø, onde o capitão, Patrick Berg, é filho, sobrinho e neto de antigos jogadores do clube.
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