No “melhor jogo da carreira”, Fede Valverde marcou um hat-trick na primeira parte: “É o jogador mais subvalorizado do planeta”
Fede Valverde, médio do Real Madrid, a exuberar com um dos golos que marcou ao Manchester City: aos 20’, aos 27’ e aos 42’
Maria Jimenez
O jogador do Real Madrid tornou-se apenas o segundo uruguaio a marcar três golos num jogo da Liga dos Campeões. A vitória dos espanhóis (3-0) na 1ª mão dos oitavos de final encaminhou a eliminatória frente ao Manchester City
Na fugaz passagem de Xabi Alonso pelo Real Madrid, os estatutos do plantel corroeram as possibilidade de uma parceria de sucesso. Fede Valverde foi uma das pedras no sapato do técnico que deixou o clube no início do ano. Embora os acontecimentos que expuseram a má relação entre ambos tenham acontecido em Almaty, a tensão não passou despercebida.
Embora dono de uma reconhecida polivalência, na antevisão ao jogo da fase de liga da Champions, Valverde assumiu pouca prontidão para atuar como defesa. “Não nasci para jogar como lateral.” Embora a confissão tenha sido justificada - “não me sinto confortável, porque há muitas qualidades que não tenho, como a capacidade de fechar a defesa” -, a declaração foi vista como um recado ao treinador.
Trent Alexander-Arnold e Dani Carvajal não estavam disponíveis para enfrentar o Kairat, em setembro. Na véspera do encontro, Valverde demarcou-se da possibilidade de ocupar a posição. Xabi Alonso ouviu a dica e, de facto, adaptou outro jogador ao papel. O uruguaio não desempenhou essa função, mas também não teve minutos, sendo visto de braços atrás das costas quando o mandaram aquecer.
A época prosseguiu e Álvaro Arbeloa assumiu a equipa principal dos merengues. Após eliminar o Benfica da Liga dos Campeões numa eliminatória com muita história, o Real Madrid cruzou-se com o Manchester City nos oitavos de final. Na mesma competição onde resmoneou com o antigo treinador, Fede Valverde fez aquele que descreveu como “o melhor jogo da carreira”.
Ativo no ataque ao espaço, o jogador que usou a braçadeira de capitão alcançou um hat-trick ainda na primeira parte. Aos 20’, aos 27’ e aos 42’ marcou os golos com que o Real Madrid bateu o Manchester City na 1ª mão (3-0). Na ausência de Kylian Mbappé, foi o marcador de serviço. “Tentei chegar como elemento surpresa. Tínhamos muitos jogadores para manter a posse no meio-campo e, assim, tentei atacar muito mais. Os meus colegas fizeram-me passes incríveis.”
Fede Valverde, do Real Madrid, a ultrapassar Gianluigi Donnarumma, guarda-redes do Manchester City, no lance do primeiro golo
Soccrates Images
Fede Valverde tornou-se o segundo jogador uruguaio a marcar um hat-trick na Liga dos Campeões. O primeiro não foi um dos avançados celestes que estiveram na moda nos tempos mais recentes, mas sim Walter Pandiani (em 2001). Álvaro Arbeloa confessa ser “um verdadeiro chato” com Fede Valverde. O objetivo é nobre: ter mais noites como esta. “Não sei se me vai acabar por odiar. É o Juanito do século XXI. Personifica na perfeição o Real Madrid. É um líder e vai ser durante muito tempo. Os adeptos revêm-se nele. É um prémio para tanto sacrifício.”
Trent Alexander-Arnold é uma recente adição ao plantel do Real Madrid e prefere ter o médio multifuncional como colega do que como adversário, porque “não há nada que ele não consiga fazer”. “É o jogador mais subvalorizado do planeta e é assim há anos”, rendeu-se junto da CBS.
O interesse em saber o que o inglês tem a dizer acentua-se face à origem do adversário. Real Madrid e Manchester City encontram-se consecutivamente desde a época 2021/22. Os dois clubes têm um histórico de seis eliminatórias da Liga dos Campeões. Os espanhóis superiorizaram-se quatro vezes e estão numa boa posição para o voltarem a fazer.