Nuno Mendes lesionou-se. Mas quem não é médico, nem quer dizer asneiras, disse que não é grave
Nuno Mendes saiu lesionado e agarrado à coxa ainda na primeira parte: a dois meses do arranque do Mundial
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O Paris Saint-Germain eliminou, outra vez, o Liverpool e está a 180 minutos de poder defender o seu título europeu na decisão da Liga dos Campeões. O Paris, como gosta de ser chamado, mostrou a sua força em Anfield, onde Nuno Mendes saiu lesionado ainda durante a primeira parte. Mas Vitinha e Luis Enrique sugeriram que é um problema muscular e não será nada de grave
Rocambolesco em animação, o jogo já carga pesada tinha devido à repetição do duelo na mesma fase da mesma competição com a mesma segunda mão no mesmo estádio pela segunda época seguida. A coincidência e o acaso conspiraram para Anfield ter depois um pouco de tudo.
Ao ‘You‘ll Never Walk‘ Alone causador de pele de galinha, cantado por adeptos do Liverpool de olhos cerrados, tomados pela emoção, seguiu-se a demonstração dos ingleses de como se respeita um verdadeiro minuto de silêncio, este em memória dos 97 adeptos do clube que morreram na tragédia de Hillsborough a 15 de abril de 1989, com o realizador da transmissão a procurar na bancada Kenny Dalglish, lenda viva dos reds, treinador nesse fatídico dia, figura omnipresente da história do Liverpool que não sendo familiar de qualquer vítima, carregará a memória como poucos: o escocês fez questão de estar presente se não em todos, em quase todos os funerais das vítimas.
Feita a homenagem, veio o tudo que a partida teve, pese nem sempre ser bem jogada: um ritmo incessante de ataque às balizas, um bonito cumprimento entre Virgil Van Dijk, capitão dos ingleses, e o efusivo Marquinhos, homem da braçadeira do Paris Saint-Germain, após um espetacular corte do brasileiro quando o neerlandês ia emendar a bola para um golo à boca da baliza; a triste lesão de Hugo Ekitiké, traído pelo tendão de Aquiles para ficar sem o Mundial e a posterior ovação a Mohamed Salah, que o substituiu para fazer, quem sabe, os seus últimos minutos da carreira na Liga dos Campeões. O egípcio sairá do clube no final da época.
Os esforços do soluçante Liverpool, equipa repleta de valores mas longe de os ter ligados no mesmo comprimento de onda visto no ano anterior, treinados pelo mesmo Arne Slot, nada puderam contra um letal PSG, marcador de dois golos na segunda parte, ambos pela ambidestria de Ousmane Dembélé, o Bola de Ouro que fez um de pé esquerdo e outro com o direito imitando um telefone antigo com a mão, no festejo, daqueles de rolar, pondo-o simbolicamente no descanso.
Nessa essa fase da partida, o desconsolo de Ekitiké não era o único de um jogador entristecido por uma mazela - nem o mais preocupante para pretensões portuguesas. Na noite em que se confirmou, pela segunda temporada seguida, a presença de quatro jogadores nacionais nas meias-finais da Liga dos Campeões e, por sinal, os mesmos, um deles abandonou o relvado de Anfield a esconder o sorriso: Nuno Mendes saiu lesionado ainda na primeira parte.
Vitinha e João Neves fizeram os 90 minutos em Anfield contra o Liverpool
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Um visão com o seu quê de arreliante a dois meses do Campeonato do Mundo, daí as perguntas a outro dos portugueses no final do encontro. “Do que percebi, pode não ser nada de grave. Sentiu ali qualquer coisa e fez bem em sair para não piorar”, comentou Vitinha, o hiperativo maestro da orquestra dançante parisiense, à Sport TV, arriscando o diagnóstico com as devidas cautelas: “Acho que podemos estar descansados. Mas, não quero estar aqui a dizer asneiras.”
O médio domador das posses de bola do PSG não é médico, à semelhança de Luis Enrique, treinador que disse precisamente isso ao comentar a vitória da equipa que insiste com a UEFA que por sua vez apela aos canais de televisão que pagaram para transmitir os jogos da Champions que todos tratem a equipa por Paris, o Paris, não por Paris Saint-Germain que é realmente o seu nome. “O Nuno Mendes saiu porque apresentava uma lesão muscular”, resumiu, acrescentando que “não é nada de grave“.
Agarrado à coxa saiu de campo um dos melhores laterais esquerdos e um pouco agarrado ao coração terá ficado Roberto Martínez, o selecionador nacional que depositou em Nuno Mendes a totalidade das esperanças em ter um pé canhoto nesse lado da defesa: o plano B para uma ausência sua passará pelos destros João Cancelo ou Diogo Dalot, raras que foram as vezes, neste ciclo mundialista, de apostas consistentes em jogadores como Raphaël Guerreiro ou Nuno Tavares.
O Paris Saint-Germain, perdão, o Paris, é o campeão europeu que agora está a 180 minutos de repetir a presença na final da Champions - defrontará o Bayern de Munique ou o Real Madrid nas ‘meias‘ - com o seu fluído futebol, multiplicador de trocas de posição entre os seus jogadores e devoto a controlar a posse de bola.
Vitinha, João Neves, Gonçalo Ramos e Nuno Mendes continuam nos píncaros do futebol europeu. Mas agora haverá quem reze aos seus santos para que tal não tenha sido a custo de uma lesão que prive Portugal de ter o seu lateral esquerdo no Mundial.