Liga dos Campeões

A segunda Liga dos Campeões do Paris Saint-Germain passou 162 vezes por Vitinha, o cúmulo da paciência que atrai a bola

Uma demonstração do apreço que os colegas de equipa têm pelo cérebro da equipa
Uma demonstração do apreço que os colegas de equipa têm pelo cérebro da equipa
Michael Regan - UEFA

O Paris Saint-Germain precisou de desmontar o Arsenal para conseguir vencer a Liga dos Campeões de novo. Para isso, contou com Vitinha. O médio português foi eleito o melhor jogador da final após o recital que deu em Budapeste

A noite mágica de Vitinha até conteve um momento de frustração. O médio estava no minuto 105 do 50º jogo da temporada quando as pernas se ressentiram. Foi substituído e odiou a ideia de, com tudo por decidir, ter que esperar no banco que alguém o fizesse por ele, de preferência a favor do Paris Saint-Germain.

A exigência da final da Liga dos Campeões sorveu-lhe 12,7 km às pernas e, via cãibras, o corpo reclamou. Ao sair, tirou a fita do cabelo e atirou-a sem ter um alvo definido. Equipado com um processador mais lento, o PSG nunca mais circulou a bola com a mesma velocidade. Percebe-se. Vitinha é o coração e, sem a proficiência dos seus pés, não há sangue que chegue a toda a equipa.

Enquanto esteve em campo, Vitinha foi o cúmulo da paciência. As ameias do Arsenal densificavam o território onde o Paris Saint-Germain mais gosta de introduzir a bola. Especialmente depois do golo dos gunners, foi preciso desenhar caminhos alternativos, contornar a muralha. Ir, ver e voltar. Tentar de novo.

Ao intervalo, soube-se mais tarde, Luis Enrique pediu para a equipa não perder a compostura. Ou seja, para não perder Vitinha.

Vitinha progrediu 540,1 m com a bola durante o jogo frente ao Arsenal
Kevin Voigt

Ao longo do encontro, tocou 162 vezes na bola, algo que não se via numa final da Liga dos Campeões desde 2003/04, de acordo com o Sofascore. Considerando o volume de ações, é notável que tenha conseguido aproximar-se tanto da perfeição. Sem entrar em nenhuma das áreas, o jogador da seleção nacional foi a plataforma giratória de todos os ensaios. Desempenhou a tarefa de forma rigorosa, mantendo a eficácia de passe nos 97% (141/150) e permitindo que o Paris Saint-Germain desse seguimento ao cerco. No final, os franceses terminaram com 837 passes completos, contra apenas 199 do Arsenal.

Além disso, o pequeno maestro equilibrou a delegação da bola com ações em que ele próprio perfurou a estrutura defensiva dos gunners. Transportou a bola em 66 ocasiões, acumulando 540,1 m em progressão.

Vitinha recebeu o devido reconhecimento pela responsabilidade na conquista da segunda Liga dos Campeões consecutiva. O prémio de melhor em campo foi-lhe entregue pelo basquetebolista grego Giannis Antetokounmpo, corpanzil que foi MVP das finais da NBA em 2021 e percebe alguma coisa sobre ser influente em alturas decisivas.

Com a orelhuda na cebeça a festejar mais uma conquista
Kevin Voigt

São já duas Champions consecutivas e o centrocampista autodiagnosticou-se com um vício. “Queremos sempre ganhar de novo, não desistir, nunca parar. O Luis Enrique é o culpado disso. Espero que consigamos ganhar mais e mais.”

A fita que lhe mantém a estética capilar e se julgava perdida andou de sítio em sítio durante as várias entrevistas que concedeu no final do jogo. Todos queriam falar com o craque-mor. Usou-a no pulso e até ao pescoço enquanto se repetiu nos elogios a um PSG que não é uma galáxia, mas um coletivo feito de jogadores “muito humildes”. Ainda assim, não teve pudor em afirmar: “Hoje, podemos dizer que somos os melhores da Europa.”

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