Liga Europa

Um magistral calcanhar não chegou para o SC Braga ir a Sevilha em vantagem na Liga Europa

Florian Grillitsch acabado de marcar um golo de calcanhar ao Real Betis na 1ª mão dos quartos de final da Liga Europa
Florian Grillitsch acabado de marcar um golo de calcanhar ao Real Betis na 1ª mão dos quartos de final da Liga Europa
Clive Brunskill

Os minhotos começaram com pressa na Pedreira, rapidamente forçando o canto planeado em que Florian Grillitsch marcou um golo artístico, mas acabariam por empatar (1-1) com o Real Betis na primeira mão dos quartos de final da Liga Europa

O jogo acordou em pézinhos de lã, vespertinos os de Braga a bombeaream a bola para as costas dos defesas do Betis com que Gabri Martínez, em pontas, torneou um adversário antes de a passar a Pau Víctor, igualmente calçado de algodão por entre uma floresta de pernas ao tocá-la para Ricardo Horta, fino de técnico, rematar e quase dar golo. Não deu aí, deu no canto malandreco de intenções.

Antes de Diego Rodrigues bater um cruzamento a meia-altura, fazendo a bola cair perto do primeiro poste, vários jogadores minhotos tinham fugido dessa zona enquanto o grandalhão Gustaf Lagerbielke bloqueava um adversário, impedindo-o de perturbar o toque de calcanhar com o esperto Florian Grillitsch desivou o golo inaugural, logo aos cinco minutos. Cedíssimo o SC Braga fazia por justificar a tarja gigante feita cair de uma bancada, “the road continues…”, para inglês ver.

Com os seus espanhóis, portugueses, um austríaco e um francês da defesa para diante os minhotos tentaram fincar o pé no jogo, jogando juntinhos e próximos da bola, um futebol mais relacional do que posicional, mas oportunidades na primeira parte só para quem veio de Espanha: o quinto classificado da La Liga teve um golo anulado, um contrariado pelo poste e dois negados por Lukáš Horníček.

Os 45 minutos restantes souberam a Braga, cheios de passes curtos medidos pelos quase quarenta anos de João Moutinho, desautorizado a descansar pelas pernas ceifadoras de Amrabat, marroquino que lesionou Diego Rodrigues com uma entrada dura. Os minhotos tiveram a posse, a iniciativa, dir-se-ia até a vontade maior, faltou-lhes o golo.

O colombiano Cucho Hernández a celebrar o golo que marcou ao SC Braga
NurPhoto

Já com Antony sobre o pasto verde com os seus calções arregaçados junto às virilhas, a parecer que o Minho fica nos trópicos, o Betis empatou de penálti: a jogada começou à esquerda, no brasileiro, que fixou as atenções, soltou o passe, a bola chegou a Abdessama Ezzalzouli e foi derrubado por um incauto Gorby na área. Cucho Hernández converteu o penálti, aos 61 minutos, não sem gesticular, encolher os ombros e fazer uma pequena birra por o marroquino torcer o nariz a deixá-lo marcar o castigo.

Seria a voz da autoridade a atiná-los: o treinador Manuel Pellegrini deu ordem para o dever ser um direito do colombiano.

O Betis contentou-se depois com a igualdade de forças no resultado, o jogo sofreu pelo corte das garras e o SC Braga incapaz se mostrou de importunar a baliza de Pau López. Terá de o fazer daqui por uma semana, em Sevilha, não no imponente Benito Villamarín, a sua alma fechada para obras, obrigando a que a segunda mão se desloque para o La Cartuja, desalmado estádio olímpico chutado sem graça para um canto da cidade.

Mais pézinhos de lã terão de mostrar por lá os bracarenses, quartos classificados do campeonato português que continuaram assim empatados contra a equipa que vai no quinto lugar em Espanha.

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