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A história desta final do Super Bowl: do “Mr. Irrelevant” à dinastia dos Chiefs

A história desta final do Super Bowl: do “Mr. Irrelevant” à dinastia dos Chiefs

André Amorim

Treinador e comentador de futebol americano

É no domingo (a partir das 23h30, DAZN) que Patrick Mahomes tentará, com os seus Kansas City Chiefs, ser bicampeão da NFL, feito conseguido, pela última vez, por Tom Brady. O adversário da final onde o segundo de publicidade vale mais do que ouro é liderado por um quaterback que, há dois anos, condenaram à irrelevância por ter sido o último a ser escolhido no draft. O treinador e comentador de futebol americano, André Amorim, escreve sobre o que aí vem

Um grande evento como o Super Bowl tem de estar sempre repleto de narrativas ao bom estilo americano e esta final não desilude neste aspecto. Comecemos pelos atuais campeões, Kansas City Chiefs. Os holofotes têm estado em Travis Kelce por causa do namoro com Taylor Swift, mas a verdade é que o tight end ‘não foi colocado no mapa’ pela cantora norte-americana.

Travis Kelce já ganhou dois Super Bowl e pode fazer história ao lado de Patrick Mahomes, Chris Jones, Harrison Butker, Mecole Hardman e do treinador Andy Reid. Os cinco jogadores e o treinador de 65 anos chegam à quarta final em cinco anos e em caso de vitória, alcançam o estatuto de dinastia igualando o registo dos Steelers nos anos 70, dos 49ers nos anos 80, dos Cowboys nos anos 90 e dos Patriots já no século XXI.

Pode ser o início de uma nova dinastia na NFL com Patrick Mahomes como cabeça de cartaz desta equipa. Em seis anos como titular, o quarterback dos Chiefs chegou sempre às finais de conferência e vai jogar o seu quarto Super Bowl, tendo perdido apenas para Tom Brady na sua última final em 2021 com os Tampa Bay Buccaneers.

Já que falamos em Tom Brady, ele foi o último que conseguiu ser bicampeão com os seus Patriots em 2004 e 2005. Mais um registo para Mahomes e os Chiefs tentarem igualar no domingo.

Patrick Smith/Getty

Por falar em quarterbacks, do outro lado está o “Mr. Irrelevant” Brock Purdy. E o que é isso do “Mr. Irrelevant”? Ora, é o nome que dão à última escolha do Draft da NFL todos os anos. E sim, foi isso mesmo que aconteceu a Brock Purdy em 2022, foi o último jogador a ser escolhido no Draft.

Depois de ter ficado perto do Super Bowl no ano passado (lesionou-se na final de conferência com os Eagles e perdeu), conseguiu voltar e comandar a equipa de Kyle Shanahan ao grande jogo. Vai ter ao seu lado uma equipa repleta de craques como Christian McCaffrey, George Kittle, Deebo Samuel, Nick Bosa, um plantel de luxo que procura não só conquistar um título que foge desde 1995, como também vingar a derrota no Super Bowl de 2019 frente a estes Chiefs.

Uma vitória dos 49ers também coloca a equipa ao lado dos Steelers e dos Patriots no topo da lista das equipas com mais títulos da NFL, com seis títulos.

Numa final jogada em Las Vegas no Allegiant Stadium, o ambiente nas bancadas também pode fazer a diferença. É esperada uma enchente de adeptos dos 49ers em Las Vegas e a equipa de San Francisco pode ainda contar com o apoio dos adeptos da casa, os Raiders, os grandes rivais dos Chiefs, que tiveram de ceder acesso as suas instalações à equipa de Kansas na preparação do grande evento.

E quando falamos da preparação do grande evento, Las Vegas tem sido dominada pelos adeptos dos 49ers que até vaiaram Travis Kelce e companhia na cerimónia de abertura onde foi notório um enorme respeito e “fair play” entre jogadores de ambas as equipas com o atleta dos Chiefs a lançar rasgados elogios ao seu rival de posição George Kittle.

O atleta dos San Francisco 49ers fica também com uma das narrativas mais entusiasmantes para este Super Bowl porque em 2019 quando perdeu o Super Bowl diante da equipa dos Chiefs, prometeu que iria voltar a estar neste palco e voltaria com “vingança”.

As narrativas estão desenhadas, os protagonistas estão encontrados, e o jogo do ano, incluindo o halftime show, será transmitido em exclusivo na DAZN a partir das 23h30.

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