Com um joelho de titânio e 41 anos, Lidsey Vonn não larga as medalhas no esqui alpino antes dos Jogos Olímpicos de Inverno
Lindsey Vonn retirou-se da competição em 2019, mas regressou o ano passado e é candidato ao ouro nos Jogos Olímpicos de Inverno
Millo Moravski/Agence Zoom
Em 2024, quando regressou à competição após cinco anos de reforma devido a dores crónicas, Lindsey Vonn disse que tinha acalmar as expetativas. Agora, conquistada a segunda prova de downhill da Taça do Mundo - e o quarto pódio - esta época, a lendária esquiadora chegará aos Jogos Olímpicos de Inverno, em fevereiro, como candidata às medalhas
Vilarejo no sopé dos Dolomitas e das suas montanhas de cume branco, Cortina d’Ampezzo fica no norte de Itália, residência friorenta para nem seis mil pessoas e lugar de significado especial para uma mulher norte-americana “Foi lá que consegui o meu primeiro pódio, onde bati o recorde”, lembrou a nostálgica Lindsey Vonn, há pouco mais de dois anos, quando insistiam em perguntar-lhe pelo titânio, não osso, que tinha em certas partes do joelhos e ela recordou a sua estreia nos degraus equivalentes a medalha, além do acumulado de vitórias na prova de downhill.
O caminho, lembrou também, era “longo”, por isso acrescentou que tinha de “pôr travões nas expetativas”. Ninguém a poderia recriminar pelo resfriar do entusiasmo: em 2019, retirara-se da competição de esqui alpino pelas dores crónicas que a atormentavam, um dos joelhos limitava-lhe a vida. Era o adeus da bicampeã mundial, uma vez ouro olímpica e colecionadora de 82 vitórias em Taças do Mundo, registo superado apenas por Mikaela Shiffrin (86) nos entretantos da reforma de Vonn que, saberíamos depois, era provisória.
No inverno de 2024, entrada já nos quarentas da vida, a norte-americana regressou à competição com os chiares nas articulações, as dores nos músculos do dia seguinte inevitáveis na idade, sem que tal a afastasse da neve. “Num mundo perfeito”, dissera então, “seria incrível” estar em Cortina d’Ampezzo, palco dos Jogos Olímpicos de Inverno deste ano, com arranque a 6 de fevereiro. Não só lá estará, como Lindsey Vonn vai acelerar colinas abaixo a velocidades amigas do seu lendário antigamente.
Aos 41 anos, Lindsey Vonn esteve no pódio de todas as provas da Taça do Mundo de esqui alpino desta temporada
Hans Bezard/Agence Zoom
No sábado, na tela branca e austríaca de Zauchensee, a esquiadora venceu a sua 84ª prova da Taça do Mundo de esqui alpino, devolvida à capacidade de acotovelar-se por medalhas em questão de centésimos de segundo. Vonn superou a norueguesa Kajsa Vickhoff Lie por 0,37s e a também norte-americana, Jacqueline Wiles, por 0,48s. Vonn já vencera em St. Moritz, nos Alpes suíços, tendo ficado no pódio das outras duas etapas da Taça do Mundo, liderando assim o ranking aos 41 anos.
Pela quantidade de neve que tinha na pista devido à posição em que lhe calhou arrancar, Vonn confessou-se pessimista antes desta competição. “Honestamente, achava que não tinha hipótese. Tive de arriscar muito na minha linha, executei bem o meu plano e trouxe intensidade para a corrida”, resumiu, à TNT Sports, a atleta que vai tocar na neve de Cortina d’Ampezzo, onde a sua história vitoriosa começou, como favorita às medalhas nos Jogos.
Campeã olímpica em 2010, na Toronto canadiana, Lindsey Vonn é a única mulher a visitar os quatro pódios esta temporada. Rejubila por estar imune a dores e sente o corpo capaz de responder a qualquer ângulo que lhe peça para tornear. “Conheço os meus limites muito bem”, garantiu. “Sei exatamente onde estou, o que quero fazer, estou forte; consigo fazer ângulos apertados ou mais alargados. Tudo o que pretenda fazer, consigo fazer”, assegurou no desfecho da prova.
Em posse, igualmente, de dois bronzes olímpicos e mais seis medalhas em Campeonatos do Mundo, Lindsey Vonn perdura. “Sou uma pessoa muito teimosa e focada”, avisou, obstinada certamente também e daí realçar, noutra entrevista à Federação Internacional de Esqui, como “desfruta de cada segundo” em pista por ser “tão divertido esquiar rápido”. Aos 41 anos, regressará cheia de pressa a Cortina d’Ampezzo.