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O ICE vai estar em Itália nos Jogos Olímpicos de Inverno. Que funções terá a “milícia que mata” dos Estados Unidos?

Os Jogos Olímpicos de Inverno arrancam a 6 de fevereiro
Os Jogos Olímpicos de Inverno arrancam a 6 de fevereiro
Maja Hitij

Um departamento da agência responsável por duas mortes em Minneapolis estará em Milão-Cortina a acompanhar a comitiva dos Estados Unidos. Perante as críticas, o Governo italiano diz que “não é como se estivesse a caminho a SS”

Renee Good foi morta a tiro pelos Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) dos Estados Unidos. O estado do Minnesota saiu à rua em protesto contra a atuação da agência que, na prática, é a mão de obra das políticas anti-imigração de Donald Trump. Alex Pretti foi uma das pessoas que não se calou e também morreu após ser baleado pela mesma força ao serviço do governo norte-americano.

O impacto dos acontecimentos levou figuras de renome do desposto norte-americano a posicionaram-se contra a chacina e a pedirem a abolição do ICE. A uma semana e meia do início dos Jogos Olímpicos de Inverno, onde vão estar mais de 3500 atletas de 93 países, a confirmação de que o ICE vai estar em Itália, país onde decorre a competição, tornou-se assunto de conversa.

O Homeland Security Investigations (HSI), um departamento do ICE, vai acompanhar a comitiva dos Estados Unidos. Perante as críticas que se levantaram, o ministro do Interior italiano esclareceu que o ICE terá uma “função diplomática” no evento que se vai realizar em Milão e Cortina d'Ampezzo. “O HSI não será representado por operacionais como os que estão a realizar controlos de imigração nos Estados Unidos, mas sim por representantes especializados em investigações”, clarificou Matteo Piantedosi.

Por parte do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos foi dada a garantia de que “todas as operações de segurança continuarão sob o controlo das autoridades italianas”, justificando a presença em solo italiano com a intenção de “mitigar riscos face a organizações criminosas transnacionais".

Segundo a CNN, o apoio dado pelo ICE nas operações de segurança relacionadas com a delegação norte-americana presente nos Jogos Olímpicos não é inédito. A participação dos Estados Unidos na competição vai ser acompanhada presencialmente pelo vice-presidente, JD Vance, e pelo secretário de Estado, Marco Rubio.

Embora o ministro do Interior defenda a ideia, a presença do ICE nos Jogos Olímpicos de Inverno tem opositores em Itália. O presidente da Câmara de Milão, Giuseppe Sala, descreve a agência como uma “milícia que mata” e que “não garante estar alinhada com os métodos de segurança democráticos”. “Podemos dizer não a Trump uma vez? Nós conseguimos tomar conta da segurança deles, não precisamos do ICE”, disse na antena da RAI.

O ministro dos Negócios Estrangeiros italiano, Antonio Tajani, desvalorizou a preocupação. “Não é como se estivesse a caminho a SS”, disse na rádio RTL, aludindo à força para-militar a mando de Adolf Hitler na Alemanha nazi. “Eles não vêm para manter a ordem pública no meio das ruas. Vêm para colaborar nas salas de operações.”

A organização dos Jogos Olímpicos de Inverno não contará apenas com apoio internacional vindo dos Estados Unidos. O Qatar também vai dar suporte ao evento.

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