Femke Bol queria fazer a mudança a sentir-se no seu melhor, com o corpo nos píncaros. Quando anunciou a decisão de abandonar os 400 metros e duplicar a labuta para se dedicar aos 800m, a neerlandesa surpreendeu muita gente. Do nada, a bicampeã olímpica (de estafetas) e bicampeã mundial a correr sozinha uma volta à pista de atletismo explicou que atingira o teto na sua distância predileta.
Ao explicar a decisão à European Athletics, a outrora estudante de jornalismo disse que “praticamente já atingira tudo” e estava “preparada para tentar algo novo, entusiasmante e arriscado”, mas atenção, Femke parecia enraízada ao chão, cautelosa quanto ao que aí vinha: "Vou chegar ao primeiro evento como uma principiante, claro que tenho uma noção dos 800m só de assistir, mas não faço ideia do que é corrê-lo." Isto foi em outubro.
Dobrámos o ano e a neerlandesa estreou-se este domingo, num meeting de pista curta em Metz, França, a competir oficialmente nos 800m - e ganhou com zero estilo de novata.
Femke Bol correu a distância que em 1.59,07 minutos, retirando quase um segundo ao anterior máximo neerlandês em pista coberta (2.00,01), que pertencia a Ester Goossens. “Adoro correr aqui, foi ótimo, mesmo se [a distância] foi um pouco superior à que estou habituada”, disse a nova recordista do seu país.
Em poucos meses, a atleta que na tal entrevista divagou sobre “nunca ter corrido além dos 600 metros” e os “200m extra“ serem “um território completamente novo” habituou-se bem às novas lides, já a tentar ganhar embalo para os Europeus de atletismo marcados para agosto. Lá haverá de encontrar britânica Keely Hodgkinson, a campeã olímpica da distância e com quem partilha o agente que lhes cuida das carreiras.
“Ela ficou muito entusiasmada“, revelou Bol sobre o momento em que lhe contou da novidade, “e achou que eu era corajosa por dar esse passo“. Para trás ficou a rivalidade de Femke com a norte-americana Sydney McLaughlin-Levrone, que levou o ouro olímpico nos Jogos de Paris. Pode vir aí uma a partilhar com Hodgkinson que agora, se calhar, já não está a achar tanta graça à mudança.
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