A vingança serviu-se na defesa: Seattle Seahawks batem New England Patriots e conquistam o Super Bowl pela segunda vez
Depois do primeiro título em 2014, os Seahawks voltam a ser a melhor equipa da NFL
Kathryn Riley
Onze anos depois de uma derrota traumática, os Seahawks tiveram a sua redenção frente aos Patriots, dominando defensivamente a equipa de New England, que só conseguiu entrar no marcador (29-13) no último quarto. O running back Kenneth Walker foi considerado o MVP de uma final pouco entusiasmante, mas em que os Seahawks secaram completamente Drake Maye, o quarterback dos Patriots
Será por demais injusto dizer que o Super Bowl LX só teve interesse no último quarto, porque foi aí, e apenas aí, que apareceram os quatro touchdowns da final. Um jogo de futebol americano não vive só de touchdowns, apesar de eles serem o zénite do desporto da bola oval, mas não o seu único fim, e os Seattle Seahawks poderão muito bem ser o epítome desta ideia.
Depois de em 2014 vencerem o seu primeiro Super Bowl aos ombros da Legion of Boom, talvez a melhor linha de defesas da história da NFL, o segundo anel chega após mais uma exibição defensiva se não de arregalar o olho, porque toda a gente gosta de pontos e de jogo de ataque, pelo menos de admirar, tal a nulidade a que remeteu durante três períodos os New England Patriots, que entraram no jogo no Levi's Stadium de Santa Clara, nos arredores de São Francisco, com a possibilidade de se colocarem no topo das equipas com mais títulos da NFL, com sete, desempatando com os Pittsburgh Steelers.
No final, o resultado 29-13 será lisonjeiro para os Patriots, incapazes durante boa parte do jogo de se entranhar pelos ínfimos espaços que os Seahawks deram. E ficou assim vingada a equipa que em 2015 perdeu o Super Bowl para a equipa de New England numa estafúrdia última jogada que, a partir deste domingo, atormentará um pouco menos as noites dos adeptos dos Seahawks.
Era já previsível que ambas as defesas se sobrepusessem aos ataques e o primeiro quarter deu um primeiro sinal do que seria a história do jogo. Drake Maye, o jovem quarterback dos Patriots, foi desde logo massacrado com sacks da poderosa linha defensiva dos Seahawks - ou seja, empurrado para o chão tendo a bola em sua posse. Sam Darnold, o quarterback da equipa de Seattle, também pouco conseguia congeminar no seu plano de jogo para levar a bola para a endzone adversária, com os Seahawks, ainda assim, a chegarem-se à frente no marcador com o primeiro de cinco field gold marcados por Jason Myers, um recorde no Super Bowl.
Kevin Sabitus
Kevin Sabitus
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No 2º período, apareceria o trator Kenneth Walker, o running back dos Seahawks, que seria, no final, considerado o MVP do Super Bowl, graças às 135 jardas de corrida conseguidas - ainda que sem qualquer touchdown, o número 9 dos Seahawks seria sempre o motor do ataque que sairia vencedor, abrindo fissuras na também forte defesa dos Patriots. Christian Gonzalez, cornerback da equipa de New England, ia conseguindo tapar Jaxon Smith-Njigba, jogador ofensivo do ano para a NFL, com pouca ou nenhuma influência no jogo.
Até ao intervalo, os Patriots não conseguiram pontuar em qualquer uma das descidas, fosse com field goal ou touchdown, e ouviram o half time show de Bad Bunny com zero pontos - foram a 15ª equipa a não pontuar numa primeira parte do Super Bowl e, tal como as restantes, não se recompôs. Os Seahawks valiam-se de três pontapés aos postes de Myers para estar na frente por 9-0.
Depois do concerto, a música não seria outra em campo e os Seahawks entraram no último quarto a vencer por 12-0. Aí, depois de 45 minutos de total domínio da defesa, surgiram finalmente os braços dos quarterbacks. Logo no primeiro drive do derradeiro período, Sam Darnold encontrou o tight end AJ Barner com um passe de 16 jardas para o primeiro touchdown da noite. Na jogada seguinte, Drake Maye, trucidado até aí, voltou a ser, durante pelo menos alguns minutos, o quarterback que se viu na época regular, com uma caminhada que o deixou bem perto do prémio de MVP: em apenas três lançamentos, colocou a bola na endzone, com Mack Hollins a concretizar o touchdown.
Icon Sportswire
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Chegou-se aqui a um único e curto momento de dúvida para os Seahawks, mas na posse seguinte dos Patriots, Drake Maye lançaria uma intercetação, agarrada por Justin Love, que terminaria com qualquer possível reação para a equipa que procurava o seu 7º título da NFL. E num jogo de tal forma controlado pela defesa, teria de ser um linebacker a fechar as contas para os Seahawks, num lance em que Drake Maye, que sofreu seis sacks durante todo o encontro, perto do recorde de um Super Bowl, voltou a perder a bola: Uchenna Nwosu agarrou-se a ela como se de a sua vida se tratasse e correu até ao touchdown.
Uma derradeira viagem à endzone por parte dos Patriots a dois minutos do final, já com os jogadores de Seattle com a cabeça nos confetis, serviu apenas para amenizar um marcador que chegou a soar a tareia. O título já estava nas mãos dos Seahawks, o segundo para uma equipa que provou, de novo, que as defesas podem mesmo ganhar campeonatos.