Isaac Nader, o campeão do mundo, está “menos nervoso, menos ansioso“. E vai dar tudo em mais uns Mundiais
Isaac Nader a trincar a medalha de ouro que ganhou nos 1500 metros dos Mundiais de atletismo de 2025
Cameron Spencer
Isaac Nader chega aos Mundiais de pista curta, que arrancam esta sexta-feira, com a medalha de ouro conquistada o ano passado nos 1500 metros no Campeonato do Mundo ao ar livre (pista longa). Garante ter mais confiança e que está na melhor forma física deste inverno
O português Isaac Nader chega aos Mundiais de atletismo em pista curta após uma temporada de inverno praticamente irrepreensível, mais maduro, confiante e na melhor forma do ano, prometendo apenas lutar por uma medalha, nos 1.500 metros.
Aos 26 anos, o algarvio é a ‘estrela’ da seleção lusa nos Campeonatos do Mundo ‘indoor’ Torun2026, que vão ser disputados entre sexta-feira e domingo, graças à medalha de ouro conquistada nos Mundiais ao ar livre Tóquio2025.
Depois dos quartos lugares em Glasgow2023 e Nanjing2025, Isaac Nader vai tentar chegar pela primeira vez a um pódio mundial sob telha, para o juntar à medalha de bronze nos Europeus Apeldoorn2025.
“O que posso garantir é sempre o mesmo. No fundo, dar o meu melhor. Eu sou um atleta diferente do que era nos últimos dois Mundiais, em que fui quarto. Primeiro, tenho mais confiança, porque fui campeão do mundo em Tóquio2025, e, se calhar, outro tipo de maturidade como atleta, como gerir as corridas e as provas e aquilo que mais uma vez é que o único que eu posso prometer é lutar para realmente chegar a uma medalha, mais do que isto é muito difícil dizer porque sou só um ser humano”, afirmou o meio-fundista do Benfica, em declarações à agência Lusa.
O único título mundial português nos 1500 metros em pista coberta foi conquistado há 25 anos, por Rui Silva, em Lisboa, com Isaac Nader a deter a melhor marca do ano entre os presentes em Torun2025, com os 03.32.44 minutos do seu novo recorde nacional, um dos três que bateu na temporada em pista coberta, além dos 800 e dos 3000, que não o deixaram plenamente satisfeito.
“Fica sempre por fazer algo, no meu caso, correr mais rápido. Acho que os 3000 foram curtos [07.38,05], os 1500 provavelmente também – eu tentei mas não aconteceu o que era o objetivo – e, nos 800, também aqui, em Torun, com muita gente boa, o objetivo era fazer 01.44 minutos e também ficou à margem [01.45,05]”, explicou.
Isaac Nader a trincar a medalha de ouro que ganhou nos 1500 metros dos Mundiais de atletismo de 2025
Já sem a orientação do espanhol Enrique Pascoal Oliva, Isaac Nader recordou a ambição que sempre expressou antes das grandes competições, sem, no entanto, conseguir explicar o quê e porque mudou na sua abordagem às provas.
“A experiência que eu tive em Tóquio2025 é a que eu quero, é uma experiência que fica para o resto da minha vida, e eu tantas vezes disse que queria uma medalha internacional e, no fundo, confirmou-se, eu confirmei que era possível fazer aquilo. E, agora, acho que entro menos nervoso, menos ansioso, apesar de saber que fui campeão naquele dia e já faz parte do passado, porque a carreira tem de continuar e o nível dos 1500 é demasiado forte para dormir na ‘sombra da bananeira’”, alertou.
Mesmo sem o norueguês Jakob Ingebrigtsen e com o britânico Josh Kerr, o norte-americano Cole Hocker e o francês Azeddine Habz nos 3.000, Isaac Nader depara-se com nove opositores com marcas abaixo dos 3.34 minutos esta temporada.
O segundo mais rápido de 2026 em Torun é o neerlandês Sam Chapple, campeão da Europa dos 800, numa lista que conta com o italiano Federico Riva e o sueco Samuel Pihlstrom, sem que se possam excluir, apesar de mais lentos, os norte-americanos Nathan Green e Luke Houser.
“O processo [de treino] não foi igual, houve mudanças, que fizeram com que eu não estivesse na melhor forma na primeira parte da época, talvez, sem parecer arrogante, estava a 80%. Agora, não posso garantir que estou a 100%, mas posso dizer que estou na melhor forma deste inverno, isso estou de certeza. E é isso que me prometer lutar pelo máximo que conseguir”, concluiu.
Além do título em Lisboa2001 de Rui Silva, uma das cinco medalhas de ouro nacionais, também Mário Silva arrebatou um bronze nos 1.500, em Sevilha1991. Portugal apresenta em Torun2026 uma delegação recorde de 19 atletas, superando os 17 das seleções para Glasgow2023 e Lisboa2001.