Um voo no momento decisivo: Agate de Sousa conquista ouro no salto em comprimento nos Mundiais de pista curta
Agate de Sousa com Iapichino, a medalhada de prata, e Linares, que obteve o bronze
Dan Mullan
A portuguesa liderou o concurso durante largos minutos, até ver a italiana Larissa Iapichino superá-la. Numa resposta de campeã, Agate fez ainda melhor, com um salto a 6,92 metros para o ouro
O melhor ensaio no melhor momento. Juntar ocasião e qualidade, unir o talento ao sentido de oportunidade, não se intimidar perante o elevar da fasquia por parte da concorrência.
Foi um exercício de competitividade assinalável o que Agate de Sousa fez em Torun, na Polónia, no concurso do salto em comprimento dos Mundiais de pista curta. Tendo a melhor marca de 2026 entre as presentes, os focos estavam na portuguesa e ela fez questão de corresponder às expetativas de arranque.
Com um ensaio a 6,82 metros, a mulher que começou a carreira a representar São Tomé e Príncipe e defende a bandeira nacional desde 2024 liderou a corrida pelo ouro durante bastante tempo. Tendo já o sabor do título a chegar aos lábios, não será fácil ver alguém tirar-lhe esse gosto.
Agate de Sousa saltou a 6,92 metros
DeFodi Images
Foi o que, no penúltimo salto, Larissa Iapichino tentou fazer. A italiana melhorou em dois centímetros o registo de Agate, saltando para a liderança. Era o momento decisivo da final. Pressão em Agate.
Agate a corresponder. A responder. A ser campeã.
Olhar concentrado, corrida veloz, passada a alargar-se, ela é rápida. Um voo para 6,92 metros. Campeã do mundo de pista curta.
É, aos 25 anos, um grande feito para a medalha de bronze nos Europeus de Roma, em 2024, e sexta nos Mundiais de Tóquio, em setembro. O bronze foi para a colombiana Natalia Linares, a glória maior foi para quem, quando a hora era de aperto, sacou o melhor de si.
É o segundo título português na disciplina, depois de Naide Gomes, campeã em Valência, em 2008, tendo a recordista nacional ainda conseguido pratas em Moscovo 2006 e Doha 2010. No total, é a 18.ª medalha de Portugal em Mundiais em pista coberta, a sexta de ouro e a primeira em Torun 2026.