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Percentagem de mulheres nas direções das principais federações internacionais sobe para 32%, mas presidentes há apenas três

A sueca Petra Sörling lidera a Federação Internacional de Ténis de Mesa: é uma das únicas mulheres no topo de uma das principais federações desportivas
A sueca Petra Sörling lidera a Federação Internacional de Ténis de Mesa: é uma das únicas mulheres no topo de uma das principais federações desportivas
NurPhoto

Estudo da SIGA, a Aliança Global para a Integridade no Desporto, mostra um crescimento sustentado de presença feminina na governança das principais federações, mas ainda longe da paridade. Há apenas três mulheres presidentes de federações internacionais, menos uma do que em 2024

O número de mulheres em cargos executivos nas direções das 30 principais federações internacionais apresenta um crescimento sustentado nos últimos oito anos, mas ainda assim longe da paridade. Esta é uma das conclusões de um estudo da SIGA, a Aliança Global para a Integridade no Desporto, sobre a representatividade feminina nos órgãos executivos de topo das federações, apresentado esta quarta-feira, e que analisou 659 elementos que fazem parte das direções de três dezenas de organizações que integram o programa dos Jogos Olímpicos de verão.

Desde 2018 que a percentagem de mulheres em cargos de direção subiu de 18,3% para os 32,02% de 2026, um crescimento de 13,7 pontos percentuais e que voltou a acelerar nos últimos dois anos, depois de alguma estagnação entre 2023 (26,9%) e 2024 (28,8%).

Das 30 federações analisadas, 21 já atingiram ou ultrapassaram os 30% de representatividade feminina nas suas direções, com destaque para a World Athletics, a federação internacional de atletismo, a primeira a alcançar a paridade total de género, com 13 mulheres e 13 homens na sua comissão executiva.

Representação feminina nas direções de federações internacionais

Perto do atletismo ficam a Federação Equestre Internacional (47,62%) e a Federação Internacional de Ténis de Mesa (45,45%). Esta última organização é uma das únicas que tem uma mulher como presidente, uma das preocupações frisadas no estudo. Face à mesma análise realizada em 2024, o número de presidentes mulheres desceu de quatro para três. Além do ténis de mesa, liderado pela sueca Petra Sörling, também as federações internacionais de badminton (Khunying Patama Leeswadtrakul) e golfe (Annika Sörenstam) são lideradas por mulheres.

Há apenas cinco mulheres com cargos de CEO ou de secretária-geral no universo de 30 federações internacionais.

Do lado oposto, entre as organizações que evidenciam mais desequilíbrios estruturais nas suas direções, estão a Federação Internacional de Andebol, com apenas duas mulheres em 20 membros da direção (10%) e a Federação Internacional de Canoagem, que conta com apenas dois membros femininos entre 15 elementos da direção (13,33%). Abaixo dos 30% estão outras federações relevantes, como a FIFA (26,62%) e a federação de ténis (17.65%).

“Os dados contam uma história mais equilibrada e encorajadora. Estamos a assistir a progressos reais na governação do desporto internacional, com mais mulheres a assumirem funções de liderança e um número crescente de organizações a alcançarem níveis significativos de representação”, sublinha o português Emanuel Macedo de Medeiros, um dos fundadores e líderes da SIGA, que, no entanto, refere também que é necessário manter “uma visão clara da realidade”, já que a liderança no desporto a nível mundial “continua a ser desproporcionalmente masculina, sobretudo nos níveis mais elevados”.

“O progresso, por si só, não é suficiente. É essencial garantir que seja sustentado e se traduza em mudanças estruturais duradouras”, aponta ainda, frisando que “o tempo da hesitação passou” e que é hora de “acelerar a ação, reforçar os quadros de governação e assegurar que a liderança no desporto reflete a diversidade do mundo que serve”.

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