O número de mulheres em cargos executivos nas direções das 30 principais federações internacionais apresenta um crescimento sustentado nos últimos oito anos, mas ainda assim longe da paridade. Esta é uma das conclusões de um estudo da SIGA, a Aliança Global para a Integridade no Desporto, sobre a representatividade feminina nos órgãos executivos de topo das federações, apresentado esta quarta-feira, e que analisou 659 elementos que fazem parte das direções de três dezenas de organizações que integram o programa dos Jogos Olímpicos de verão.
Desde 2018 que a percentagem de mulheres em cargos de direção subiu de 18,3% para os 32,02% de 2026, um crescimento de 13,7 pontos percentuais e que voltou a acelerar nos últimos dois anos, depois de alguma estagnação entre 2023 (26,9%) e 2024 (28,8%).
Das 30 federações analisadas, 21 já atingiram ou ultrapassaram os 30% de representatividade feminina nas suas direções, com destaque para a World Athletics, a federação internacional de atletismo, a primeira a alcançar a paridade total de género, com 13 mulheres e 13 homens na sua comissão executiva.
Representação feminina nas direções de federações internacionais
Perto do atletismo ficam a Federação Equestre Internacional (47,62%) e a Federação Internacional de Ténis de Mesa (45,45%). Esta última organização é uma das únicas que tem uma mulher como presidente, uma das preocupações frisadas no estudo. Face à mesma análise realizada em 2024, o número de presidentes mulheres desceu de quatro para três. Além do ténis de mesa, liderado pela sueca Petra Sörling, também as federações internacionais de badminton (Khunying Patama Leeswadtrakul) e golfe (Annika Sörenstam) são lideradas por mulheres.
Há apenas cinco mulheres com cargos de CEO ou de secretária-geral no universo de 30 federações internacionais.
Do lado oposto, entre as organizações que evidenciam mais desequilíbrios estruturais nas suas direções, estão a Federação Internacional de Andebol, com apenas duas mulheres em 20 membros da direção (10%) e a Federação Internacional de Canoagem, que conta com apenas dois membros femininos entre 15 elementos da direção (13,33%). Abaixo dos 30% estão outras federações relevantes, como a FIFA (26,62%) e a federação de ténis (17.65%).
“Os dados contam uma história mais equilibrada e encorajadora. Estamos a assistir a progressos reais na governação do desporto internacional, com mais mulheres a assumirem funções de liderança e um número crescente de organizações a alcançarem níveis significativos de representação”, sublinha o português Emanuel Macedo de Medeiros, um dos fundadores e líderes da SIGA, que, no entanto, refere também que é necessário manter “uma visão clara da realidade”, já que a liderança no desporto a nível mundial “continua a ser desproporcionalmente masculina, sobretudo nos níveis mais elevados”.
“O progresso, por si só, não é suficiente. É essencial garantir que seja sustentado e se traduza em mudanças estruturais duradouras”, aponta ainda, frisando que “o tempo da hesitação passou” e que é hora de “acelerar a ação, reforçar os quadros de governação e assegurar que a liderança no desporto reflete a diversidade do mundo que serve”.
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