Canoagem: Messias Baptista vice-campeão da Europa de K1 200 metros
David Balogh
O terceiro pódio nacional em Montemor-o-Velho chegou através do atleta de Vila do Conde. Ainda assim, Messias descreve um “sentimento amargo” por só ter obtido uma medalha nos Europeus
O canoísta Messias Baptista sagrou-se vice-campeão da Europa de K1 200 metros, consumando o terceiro pódio português na competição que decorre em Montemor-o-Velho.
O vice-campeão da Europa em 2025 cumpriu a sua prova em 34,178 segundos, apenas superado pelo espanhol Carlos Arevalo, 75 milésimos de segundo mais rápido. O pódio ficou completo com o húngaro Gergely Balogh, a 115 milésimos do vencedor.
Esta é a terceira medalha lusa em Montemor-o-Velho, depois do bronze de Fernando Pimenta em K1 1.000 metros, no sábado, e do ouro de Norberto Mourão, hoje, na classe adaptada de VL2 200 metros.
Fernando Pimenta a pagaiar na Taça do Mundo de canoagem
O canoísta Messias Baptista assumiu o sentimento “muito amargo” de subir ao pódio dos Europeus somente em K1 200 metros, com a prata, enquanto em K2 500 e K4 500 ficou duas vezes em quarto lugar, em Montemor-o-Velho.
“É um sentimento muito amargo, subir ao pódio apenas em K1. Vim participar nas três provas, queria três medalhas e estava pronto para isso”, desabafou. Em declarações à Lusa, o canoísta referia-se à equipa com João Ribeiro, no K2, que é reforçada com Gustavo Gonçalves e Pedro Casinha em K4, tripulação que no sábado ficou a impercetíveis 20 milésimos de segundo do pódio.
“O K2 e o K4 ficarem assim à porta é um sentimento de frustração, mas todos os anos digo ao João que, normalmente, nas Taças do Mundo e no Europeu é quando a nossa forma não está tão alta e o resultado do pódio acaba por não aparecer. Digo-lhe sempre para acreditar e confiar em mim que no Mundial vamos voltar a subir, e isso tem acontecido. É oficial, digo aqui de novo que no Mundial vamos estar nos lugares do pódio”, sublinhou.
Apesar de nunca terem ido ao pódio europeu em K2, em Mundiais, Messias Baptista e João Ribeiro arrecadaram o ouro em 2023 e 2024, e a prata em 2025.
“É um sentimento agridoce. Feliz pela prata em K1 200, embora me sentisse preparado para ser campeão, mas queria partilhar mais uma medalha com o João. Quando os quartos lugares são consideradas as nossas piores resultados é porque estamos a fazer algo certo. Já passámos por isto e tenho a certeza absoluta que vamos dar a volta. Foi assim o ano passado e há dois anos, portanto, no Mundial, estaremos certamente a lutar novamente pelas medalhas”, sentenciou.
João Ribeiro desvalorizou o facto de Messias Baptista ter disputado a final de K1 200 uma hora antes da do K2 500, considerando que, pior do que o desgaste acumulado, seria o companheiro de tripulação e amigo não fazer “a prova que mais ama”. “É nisso que acredito e tento me focar. Se fosse a pensar para a prova que o Messias ia estar mais cansado, ia ser mais um peso dentro do barco, isso não ia ajudar nada. Tenho que confiar no Messias. Certamente, era pior se ele não fizesse a prova, ia ficar muito mais desanimado, porque é uma prova que ele ama fazer. Por isso, tenho superconfiança nele e deu o melhor nas duas distâncias”, vincou à Lusa.
O atleta olímpico garantiu a continuação do “foco total” do K4 e K2 para as provas que faltam esta época, nomeadamente a Taça do Mundo no Canadá e os Mundiais no fim de agosto, na Polónia. Além da prata de Messias Baptista em K1 200 metros, Portugal arrecadou em Montemor-o-Velho o bronze de Fernando Pimenta em K1 1.000 e o ouro de Norberto Mourão na classe adaptada de VL2 200.