Gerson Baldé, campeão do mundo, na final do salto em comprimento dos Europeus. Está otimista? “Hum, sim, digamos que sim”
Gerson Baldé, no ar, durante um dos seus ensaios na qualificação para a final do salto em comprimento
ADAM VAUGHAN
Gerson Baldé avançou para a final dos Europeus de atletismo, em Birmingham, Inglaterra, com a quarta melhor marca da qualificação. Vencedor do ouro no salto em comprimento dos últimos Mundiais, em março, o atleta português disse que vai “arriscar mais” na final, marcada para terça-feira
Gerson Baldé soa campainhas. O nome já tilinta se for dito em voz alta, como não: nem há cinco meses, na cidade polaca de Torun, o saltador fez das pernas trampolins, pulou 8,46 metros vindo do inesperado e ganhou a medalha de ouro nos Mundiais de pista curta. O algarvio de gema tinha os 26 anos que mantém, sorriu de alegria, foi beber uma “taça de vinho” com o treinador, assim o disse, e a sua vida mudou de todas as formas.
Uma delas na expetativa, por arrasto numa outra, na pressão. Sabendo delas saltou, esta segunda-feira, 7,99 metros na qualificação do salto em comprimento dos Europeus de atletismo, ciente da responsabilidade acrescida e a arcar com a vigilância agora maior dos adversários. O português vindo ao mundo em Albufeira obteve a quarta melhor marca entre os 12 homens apurados para a final, marcada para terça-feira. Poupou-se doseando controlo, como admitiu.
Sabia Gerson Baldé que ia ser “difícil”, o ouro mundial ao seu pescoço não escancara portas sozinho. "No último salto já sabia que estava classificado, portanto foi mais a controlar. O primeiro nulo não estava nas minhas expetativas, mas acontece”, disse à RTP, em Birmingham, onde se realiza a competição e os atletas expeditos são a surgirem na zona mista para as entrevistas.
Gerson Baldé a aterrar um dos saltos nos Europeus de atletismo
ADAM VAUGHAN
Já agasalhado e de mochila às costas, ornando um travesseiro dado a poucos sorrisos, o campeão mundial não pareceu animado, mais compenetrado na tarefa por diante. Perguntaram-lhe se o otimismo o embalava para a final. “Hum, sim, digamos que sim”, respondeu o atleta do Sporting, assim como assim, austero em explicações: “A final é outra prova, vou dar o meu melhor e arriscar mais, como é claro.”
Residente na Maia, perto do local de labuta do seu treinador, José Barros, antigo Diretor Técnico Nacional da Federação Portuguesa de Atletismo, o português chegou aos Europeus no quinto lugar do ranking continental e no sétimo da hierarquia internacional. Tem os 8,46 metros que deixou em março, nos Mundiais da Polónia, como o maior pulo literal da sua carreira - pertenceu ao sérvio Luka Bošković, rapaz de uma vintena de anos, a melhor marca da qualificação, 8,33 metros.
Mesmo que parco em entusiasmo, o primeiro dos objetivos de Baldé está cumprido, fiando nas palavras que quem o treina disse à Tribuna Expresso aquando da conquista do ouro mundial: “Daqui a 136 dias estar na final do Campeonato da Europa e dar continuidade a este trabalho e ao resultado.” Dito e feito.