O título de campeão do mundo dos 1500 metros, conquistado o ano passado, fazia de Isaac Nader um dos favoritos à vitória na final deste sábado à noite nos Europeus de atletismo, em Birmingham, no Reino Unido. No entanto, o alteta portguês terminou a prova em último lugar (12.º).
Nader completou a prova em 3.39,80 minutos, 3.99 segundos depois do neerdelandês Stefan Nillessen (3.35,70), que conquistou a medalha de ouro. “Às vezes o desporto é assim, o corpo não reage. Até me estava a sentir normal, talvez não tivesse tanta energia como pensava”, disse em declarações à RTP.
Isaac Nader a trincar a medalha de ouro que ganhou nos 1500 metros dos Mundiais de atletismo de 2025
A dois dias de completar 27 anos, o atleta do Benfica procurava juntar o título europeu ao de mundial ao ar livre, mas acabou por ser o último na final, perante o ataque de Nillessen (03.35,70), que deixou o sueco Samuel Pihlström (03.36,16) e o irlandês Andrew Coscoran (03.36,24) nas segunda e terceira posições, respetivamente.
Depois do 10.º lugar em Roma, Nader procurou a frente da corrida, foi 'entalado' e, quando tentou, ficou sem resposta, numa final com pódio surpreendente, sem os ingleses Jake Wightman, Jake Heyward ou Arlo Ludewick, nem o norueguês Narve Gilje Nordas ou o francês Azeddine Habz.
"A ideia era estar à frente da corrida, não liderar, mas mesmo que fosse fechado, um bocadinho mais atrás, como aconteceu - ia em 10.º a faltar uma volta - e não entrei em pânico, fui tranquilo, simplesmente hoje o corpo não respondeu como eu queria e,às vezes é assim, não há muito a dizer, é um dia sem história. Não ganhamos sempre, já sei disso, mas não muda nada, é só um dia menos bom, um dia sem história, só isso", relativizou.
"A prova não foi muito diferente do que tivemos ontem [na sexta-feira, nas eliminatórias], quando me senti bastante bem, acelerei facilmente nos últimos 100 metros, nem sequer dei metade do que eu podia dar na reta da meta. Hoje, sinceramente, não sei, senti-me bem, mas, depois, ao mudar o ritmo, acelerei, senti-me à frente, mas faltavam 120 metros", descreveu o meio-fundista do Benfica.
O atleta recusou apresentar desculpas para este desfecho: “Não há justificação, este é o meu trabalho, mas, às vezes, o corpo não responde como nós queremos”. E continuou: "Tenho a consciência de que não posso falhar desta maneira, não pelos outros, mas por mim, eu exijo isso a mim mesmo", responsabilizou-se, depois de ter 'caído' do 10.º lugar nos últimos Europeus, em Roma2024, para o 12.º posto.
Isaac Nader prometeu "analisar e avaliar" se vai continuar a correr esta época. "Pode ser o fim da época, porque, se realmente, não tiver energia e motivação para continuar, acho que é melhor ir de férias, descansar a cabeça, porque para o ano há mais, há um título de campeão do mundo", vincou.
Rui Silva e Mário Silva, com as medalhas de bronze em Munique2002 e em Split1990, continuam a deter os melhores resultados nacionais nos 1500 metros.