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Foi lá para mostrar quem é o melhor, mas houve alguém melhor: Pichardo é vice-campeão europeu de triplo salto

Pichardo a saltar durante a final do triplo salto dos Europeus de atletismo
Pichardo a saltar durante a final do triplo salto dos Europeus de atletismo
Michael Steele - British Athleti

Pedro Pichardo dissera, antes da final, que decidiu ir aos Europeus para mostrar a Andy Díaz, principal adversário e também nascido em Cuba, quem era o mais capaz dos dois. Mas o bicampeão mundial português nada pôde contra os 18,15 metros que o italiano saltou, de forma incrível, para fixar a quarta melhor marca na história da modalidade: tão inalcancável que Pichardo até abdicou das duas últimas tentativas

A bravata de Pedro Pichardo alimenta-o. Não se trata apenas do seu soslaio quando em prova, aquelas suas caras fanfarronas ao mirar as marcas que crava na areia, de quem não liga aos concorrentes à sua volta com boné na cabeça. A pala aponta para trás, na direção de onde os que deixar, atrás dele, sempre atrás, enquanto se alimenta do que faz (salto de 17,16 metros, o melhor da qualificação) e do que isso o deixa dizer.

Porque ele, acreditem os incautos, “não queria competir, mas pronto”. Desabafou assim à Lusa ao apurar-se para a final do triplo salto nos Europeus ao comentar assado que tinha planeado “descansar” até ouvir “o rapaz da Itália”, chamado Andy Díaz - apurado com 17,05 metros, portanto logo atrás de Pichardo -, “dizer que é o melhor”. O português ficou “um pouco chateado”, ligou ao pai, o seu treinador, “disse que tinha de estar” em Birmingham para “mostrar quem é o melhor”.

Fã de alardear, o único bicampeão mundial do atletismo português ainda de fato de treino estava quando colou as palmas das mãos, curvou-se em agradecimento e aplaudiu o público ao ser anunciado o seu nome no estádio. Cordial no gesto, foi perentório ao entrar na final do triplo salto: 17,76 metros, respeituosa senhora marca que o laranjeou de imediato. Virou a cenoura para os restantes perseguirem, mas não durou.

À segunda tentativa depois de um primeiro salto nulo, o tipo em quem Pichardo descobriu um némesis ligou patavina à gravidade, fez-se corpo quase a pairar no ar e desencantou uns espantosos 18,15 metros. Posto em contexto, o salto de Andy Díaz, o melhor da sua carreira, equivalia ao quarto melhor da história da modalidade, tão-só a 14 centímetros do mítico homem-trampolim de seu nome Jonathan Edwards, senhorio de 18,29 metros desde o seu pulo de 1984, em Gotemburgo.

Pedro Pichardo a saltar, aos 33 anos, na final do triplo salto dos Europeus: a sua melhor tentativa registou 17,76 metros
Michael Steele - British Athleti

E o semblante de Pichardo, aquele de generosa confiança, sumiu de vista.

O português cerrou a boca, agravou o olhar, severo nos trejeitos de quem não esperaria tamanho pulo do seu conterrâneo de origem. Fez-se à pista e saltou 17,50 metros, depois 16,99 metros enquanto Díaz, tranquilo no seu fato de treino para se esquivar ao fresco de Birmingham, observava o português nascido em Cuba a tentar e a regredir, e os restantes a saltarem o que podiam atrás deles. Já sem boné na cabeça nem palas, Pichardo tinha um homem que não saía da sua frente.

Sem se ver com pernas de gafanhoto na prática, talvez não se sentindo com molas suficientes para alcançar quem ali mesmo, à sua frente, cravava na areia um salto melhor do que os melhores de Pichardo quando a idade lhe era mais fresca - registou 18,08 e 18,06 metros na flor das suas aptidões, em 2015 -, o português deixou de tentar. Abdicou da quarta e quinta tentativas, admitiu que não lhe estava na posse chegar a Andy Díaz. Viu que não era o melhor.

Coisa de um ano contado desde o seu segundo título mundial, ouvidas há dias as suas palavras confiantes, com sotaque fanfarrão, Pedro Pichardo contentou-se com a prata em Birmingham. O português, aos 33 anos, é vice-campeão europeu, apto para as curvas do triplo salto. Só não cumpriu o que disse ter ido fazer aos Europeus.

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