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Atleta de Hyrox continuou a competir em Pequim após desarranjo intestinal. Regras da competição vão ser revistas

Hyrox Tailândia
Hyrox Tailândia
Sakchai Lalit/AP

A participação de Joanna Wietrzyk numa competição de HYROX em Pequim está a gerar uma onda de críticas depois de a atleta ter sofrido uma incontinência fecal durante a prova e ter continuado a competir. A organização reconheceu que a situação não foi gerida de forma adequada e anunciou mudanças nos procedimentos

A HYROX vai rever os regulamentos e procedimentos médicos e de biocontaminação depois da polémica que marcou uma das provas realizadas em Pequim, na China, no passado fim de semana.

Joanna Wietrzyk, atleta australiana e atual campeã mundial da sua categoria, continuou em competição depois de sofrer uma incontinência fecal repentina, ficando com as pernas cobertas de fezes. A atleta acabou por vencer a prova, uma decisão que provocou fortes críticas nas redes sociais.

Segundo a BBC, o cofundador da HYROX, Moritz Fürste, reconheceu que a organização “não lidou com a situação como deveria” e assumiu a responsabilidade pelo sucedido. A empresa comprometeu-se ainda a melhorar os procedimentos dos eventos para evitar que situações semelhantes voltem a acontecer.

A organização explicou que dispõe de regras específicas para situações de biocontaminação e emergências médicas, mas que, neste caso, surgiu uma situação inesperada que criou dúvidas sobre a forma como os protocolos deveriam ser aplicados.

Equipamento e pista terão ficado contaminados

O caso ganhou ainda maior dimensão devido às condições em que a atleta terminou a competição.

Uma participante que esteve presente no evento no dia seguinte contou à agência EFE que as fezes terão ficado na pista, no equipamento utilizado pela atleta e em máquinas e tapetes partilhados por outros concorrentes.

A participante afirmou ainda que a limpeza não foi feita imediatamente e que alguns atletas acabaram por entrar em contacto com os resíduos. Segundo o testemunho, houve mesmo pessoas que escorregaram na pista contaminada.

Alguns participantes pediram posteriormente explicações à organização e chegaram a defender a existência de reembolsos ou outras formas de compensação para quem possa ter sido afetado pelo incidente.

Joe Ho, participante na competição de Pequim, criticou a resposta inicial da organização e defendeu, segundo a BBC, que a HYROX deveria assumir a responsabilidade caso os seus próprios procedimentos tenham falhado.

Críticas às regras da competição

A polémica também levantou dúvidas sobre a aplicação das regras da HYROX. A organização penaliza comportamentos como cuspir, limpar as narinas, deixar lixo no percurso ou desperdiçar água, mas permitiu que a atleta continuasse depois do incidente.

Para Anthony Huang, professor associado do Departamento de Informação e Comunicação Desportiva da National Taiwan University of Sport, o caso pode revelar uma cultura excessivamente centrada nos resultados.

Em declarações à BBC Chinese, o especialista considerou que uma competição madura não deve avaliar apenas se um atleta venceu, mas também a forma como essa vitória foi alcançada. Huang questionou ainda se o crescimento comercial da HYROX estará a acontecer mais rapidamente do que a capacidade da organização para gerir situações complexas.

Atleta é alvo de ameaças nas redes sociais

Apesar das críticas à organização, a HYROX deixou claro que não aceita ameaças ou incitamento à violência contra a atleta.

Num comunicado, a empresa anunciou que qualquer pessoa identificada a ameaçar ou incentivar agressões contra Wietrzyk, seja através de comentários, mensagens privadas ou outras plataformas digitais, será banida permanentemente dos eventos HYROX.

A organização defendeu que a responsabilidade pela gestão da competição pertence aos seus responsáveis e que a frustração dos participantes não deve ser direcionada para os atletas.

Incidentes deste género não são inéditos

Embora o episódio em Pequim tenha provocado grande controvérsia, situações relacionadas com necessidades fisiológicas durante provas de resistência não são inéditas.

A BBC recorda o caso da maratonista britânica Paula Radcliffe, que, em 2005, durante a Maratona de Londres, parou durante a corrida para aliviar-se junto à estrada e acabou por vencer a prova.

Também este ano, a maratonista chinesa Li Meizhen chamou a atenção ao terminar uma prova com sangue menstrual visível nas pernas.

A diferença no caso de Pequim está sobretudo nas consequências para outros participantes, uma vez que, segundo os relatos, equipamentos e superfícies partilhadas terão ficado contaminados.

HYROX ganha cada vez mais popularidade

Criada em 2017, em Hamburgo, na Alemanha, a HYROX combina corrida com exercícios de força e resistência. Cada competição inclui oito quilómetros de corrida, intercalados com oito exercícios, entre os quais empurrar um trenó, burpees, remo indoor e lunges com saco de areia.

A modalidade tem crescido rapidamente em vários países e chegou à China no final de 2024. De acordo com a agência estatal chinesa Xinhua, existem atualmente mais de 500 ginásios afiliados no país.

A procura pela competição de Pequim foi tão elevada que a organização acrescentou um dia ao evento, transformando-o numa competição de quatro dias.

Depois da polémica, a HYROX garante que vai reavaliar os procedimentos e estabelecer limites mais claros para situações semelhantes, procurando colocar o bem-estar e a dignidade dos atletas no centro das futuras competições.

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