O selecionador masculino português de judo, Pedro Soares, antecipou os Mundiais da modalidade em Baku com a certeza de ficar satisfeito se os nove judocas conseguirem aquilo a que designou de “medalhas invisíveis”.
“Existem aqui medalhas invisíveis que, como treinador, gostaria muito de concretizar esses objetivos. Gostaria muito que deste grupo de nove atletas, masculinos e femininos, todos estivessem solidificados no projeto olímpico. Gostava muito que destes nove atletas, muitos deles estivessem no final deste Campeonato do Mundo apurados virtualmente para os Jogos Olímpicos, numa zona de qualificação”, explicou o selecionador.
Na conferência de imprensa de lançamento dos Mundiais de judo, que decorrem entre 4 e 11 de outubro em Baku, no Azerbaijão, Pedro Soares, acompanhado de Marco Morais, selecionador feminino, e de Sérgio Pina, presidente da Federação Portuguesa de Judo, tirou pressão ao objetivo das medalhas, mas sem deixar de pensar nele.
“Gostava muito que nestes atletas que têm mais hipóteses que chegar às medalhas, se não conseguirem, terminem este Campeonato do Mundo todos como cabeças de série e que possam também chegar aos Jogos Olímpicos como cabeças de série, que hoje em dia não é determinante, mas é fundamental para poder ambicionar algo de grandioso”, acrescentou.
Em Baku, Portugal contará com nove judocas, entre os quais os medalhados olímpicos Jorge Fonseca (-100 kg) e Patrícia Sampaio (-78 kg), mas também Catarina Costa (-48 kg), Bernardo Tralhão (-66 kg), Joana Crisóstomo (-63 kg), Miguel Gago (-66 kg), Taís Pina (-70 kg), Otari Kvantidze (-73 kg) e Rochele Nunes (+78 kg).
O estatuto de Jorge Fonseca
O treinador, também antigo judoca, duas vezes vice-campeão europeu, não deixou, no entanto, de reconhecer o estatuto de Jorge Fonseca, o único campeão mundial português, em 2019 e 2021, e que hoje esteve ausente na apresentação.
“O Jorge está numa fase diferente da carreira daquela que esteve em 2019, 2020 e 2021, onde conseguiu dois títulos de campeão do mundo e uma medalha olímpica, tem um potencial e um talento enorme que pode, num dia bom, como aconteceu em Budapeste [Grand Slam em setembro], colocá-lo na zona das medalhas”, referiu.
Pedro Soares insistiu, porém, que ter todos os judocas que vão estar nos Mundiais com sétimos ou quintos lugares, integrados no projeto olímpico, muito perto da qualificação ou como cabeças de série será sempre uma "medalha gigante" na prestação em Baku.
Do lado feminino, Marco Morais evitou, igualmente, prometer subidas ao pódio, mas disse que a equipa está pronta para disputar medalhas, num grupo com algumas judocas mais experientes, casos de Patrícia Sampaio, Catarina Costa ou Rochele Nunes, também ausente na apresentação, e que tem demonstrado grande consistência ao longo dos anos.
“Tenho confiança nos atletas, podemos estar na disputa das medalhas pelo que é o seu currículo. Vários destes atletas ou já ganharam medalhas em Grand Slams, já ganharam medalhas em campeonatos da Europa, ganharam medalhas em campeonatos do mundo, já tiveram a disputar bronze olímpicos, já ganharam bronze olímpicos. Portanto, a minha expectativa é estar na disputa das medalhas”, sustentou Marco Morais.
Os Mundiais em Baku, na Arena Nacional de Ginástica da capital azeri, contará com 640 judocas, 345 masculinos e 295 femininos, a competirem em 14 categorias de peso, e pontuará na qualificação olímpica para Los Angeles2028.