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Mundial 2022

Nas ruas de Doha entre o paraíso saudita e o inferno argentino: “Vieste ver o Messi? Eu não o vi em campo”

Nas ruas de Doha entre o paraíso saudita e o inferno argentino: “Vieste ver o Messi? Eu não o vi em campo”
Christopher Lee
Os cidadãos da vizinha Arábia Saudita encheram de cânticos e alegria Doha, depois da vitória da sua seleção contra as divindades argentinas. A Tribuna Expresso relata o que viu nas ruas e os desabafos de cada lado das trincheiras
Nas ruas de Doha entre o paraíso saudita e o inferno argentino: “Vieste ver o Messi? Eu não o vi em campo”

Hugo Tavares da Silva

enviado ao Mundial de 2022

– Vieste ver o Messi ao estádio?
– Sim.
– Ahh, eu não o vi.

O atrevimento é de Mohamed, de 36 anos, chegado de Jeddah para ver o jogo que fundou o espanto planetário em relação ao Campeonato do Mundo, no Catar. O riso parecia um daqueles que se vê quando alguns triunfam numa revolução. “É a maior vitória da Arábia Saudita”, dizia com vontade, como se gargalhasse com as palavras, explicando a dimensão do feito de superar Lionel Messi e companhia. O Estádio Lusail era a capital saudita. As imediações do recinto eram de uma alegria imensa, contrastando com a incredulidade dos argentinos, sovados no espírito. O verde brilhava mais que o sol, já adormecido. No metro, com a ajuda da acústica e dos cantos e recantos daquela estrutura, a festa cresceu.

Foi aí que Mohamed falou à Tribuna Expresso com uma felicidade realmente emocionante. Questionado se agora era até à vitória no Campeonato do Mundo, alinhando no desvario emocional, respondeu como um menottista de primeira: “Eu gosto que eles joguem bem, o resultado vê-se depois”. E lá confirmou que esta tarde os futebolistas sauditas jogaram muitíssimo bem e que o representaram. Os cânticos enchiam as carruagens, escorria vaidade. Havia risos e muita gente a filmar. Um senhor mais velho, tapado por um típico dishdasha branco, acenava com a cabeça. Talvez fossem provocações. Talvez fosse só uma bebedeira de alegria inocente e juvenil. Ou coisas que se dizem quando se desconhece o paradeiro da tristeza que arruina.

Alguns argentinos pareciam estar de ressaca desde 2002. Outros, como um casal na casa dos 30, ia rindo e até batucando os pés, acompanhando com os ombros.

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