As complexidades de um Mundial com 48 equipas explodem quando o assunto é logística: é preciso dividir 104 jogos e todas estas nações em 16 cidades de três países. Se na sexta-feira ficaram conhecidos os grupos, só 24 horas depois foi possível ter em mãos toda a informação. Ou seja, quando e onde joga cada uma das equipas.
Algo tão burocrático poderia muito bem ser resolvido com um comunicado, mas a FIFA de Gianni Infantino nunca o faria: se há oportunidade de mais um evento, mais uma reunião de convidados, mais uma hipótese do suíço surgir a falar para as câmaras, ele não a vai desaproveitar. Sete minutos depois da hora marcada, lá estava Infantino a falar do espetáculo da véspera, do sorteio do que será “o melhor Mundial de sempre”, não se cansa de dizer.
Seguiu-se Manolo Zubiria, diretor do torneio, revelando as dificuldades de “uma longa noite” em que o staff da FIFA necessitou de combinar todas as variantes para montar “o puzzle”, como lhe chamou: desde as distâncias, aos múltiplos fusos e climas que percorrem os três países.
Felizmente, não foi necessário esperar os intermináveis 88 minutos do dia anterior de prémios inenarráveis e performances musicais esquecíveis (nem Lauryn Hill salvou a honra do convento) para se falar do que realmente interessava: onde ia jogar cada uma das equipas e a que horas - ainda que sempre intercalado com antigas lendas botando faladura, geralmente pouco interessante.
Calhando no Grupo K, Portugal já sabia que teria de assentar arraiais mais a sul, algures entre o Texas, Geórgia, Flórida e o México e na cerimónia ficou a saber que, pelo menos na fase de grupos, ficará sempre em território dos Estados Unidos: os dois primeiros jogos serão em Houston, no Texas, e o último em Miami. Portugal fará a estreia com RD Congo, Jamaica ou Nova Caledónia no NRG Stadium, de 70 mil lugares, a 17 de junho, onde vai jogar também com o Usbequistão, a 23 de junho. O último jogo do grupo, com a Colômbia, será no Hard Rock Stadium de Miami, com capacidade para 65 mil adeptos, a 27 de junho.
Uma questão problemática poderia estar no horário de cada jogo, que tantas dores de cabeça causou, por exemplo, no Mundial de Clubes do verão. Durante o evento, Alexi Lalas, um dos cromos do Mundial 94, apoiante de Trump e por isso preocupado em limpar toda a imagem possível deste Mundial, não se coibiu de dizer que faz calor nos Estados Unidos no verão, é o que é, como quem avisa que é uma intransponibilidade que todos terão de aguentar sem queixas. Hristo Stoichkov, mago búlgaro que jogou também em 1994, seguiu pela mesma bitola, como que com o guião bem estudado.
Nos dois jogos de Houston, Portugal vai entrar em campo às 12h locais (18h em Portugal Continental), no pico do calor. Porém o NRG Stadium, casa dos Houston Texans da NFL, tem cobertura retrátil, pelo que os jogos poderão ser realizados em recinto fechado. As temperaturas médias em junho na cidade texana andam à volta dos 27 graus. Em Miami, o duelo com a Colômbia está marcado para as 19h30 locais, 0h30 em Lisboa.
Os jogos de Portugal:
17 junho, em Houston: Portugal-RD Congo/Jamaica/Nova Caledónia (12h locais/18h em Portugal Continental)
23 de junho, em Houston: Portugal-Usbequistão (12h locais/18h em Portugal Continental)
27 de junho, em Miami: Portugal-Colômbia (19h30 locais/0h30 em Portugal Continental)
Tem alguma questão? Envie um email ao jornalista: lpgomes@expresso.impresa.pt