Cada jogador do Mundial 2026 terá um avatar feito através de inteligência artificial, tudo para ajudar o VAR a tomar decisões
Um exemplo da tecnologia semiautomática de fora de jogo, já usada na Premier League e que se estreou oficialmente no último Mundial
Harry Murphy - Danehouse
A tecnologia semiautomática de fora de jogo, já usada no último Mundial, no Catar, vai surgir no próximo Campeonato do Mundo com uma importante evolução: todos os jogadores terão um modelo 3D com as suas dimensões reais, o que ajudará a tomar decisões mais precisas
Quem ainda tem recordações de um mundo sem internet também se lembrará, saudosamente ou não, dos primeiros simuladores de futebol. Dos nomes comicamente aproximados ao real para contornar os licenciamentos, das caras uniformes e pixelizadas, dos corpos como que saídos da mesma linha de montagem digital. Tudo muito diferente dos dias atuais, em que agarrar num comando para iniciar um jogo de futebol a brincar não está tão longe assim de ligar a TV para ver um encontro real. Os jogadores, facultando a sua imagem e dados, ajudaram a essa evolução.
Uma evolução que irá agora entrar pelo futebol real adentro. A tecnologia semiautomática de fora de jogo, já usada no último Mundial, no Catar, e também agora na Liga dos Campeões ou Premier League, terá um importante lifting para o Campeonato do Mundo deste ano. Se até agora as imagens geradas com a ajuda de câmaras e sensores na bola apresentavam jogadores com a mesma volumetria e dimensão, fosse o futebolista um atarracado avançado ou um gigante central, na prova que vai decorrer no verão nos Estados Unidos, México e Canadá os jogadores terão direito a um avatar próprio, de tamanho real, criado com a ajuda da inteligência artificial.
Assim, todos os futebolistas que irão participar no Campeonato do Mundo terão o seu corpo scanado, criando um “modelo preciso em 3D”, sublinha a FIFA. Cada scan “demora aproximadamente um segundo” e captura de “forma fiel as dimensões das partes do corpo”, o que permite ao sistema fazer um seguimento mais fidedigno durante movimentos rápidos, aponta também a FIFA. Esses modelos, além de proporcionarem decisões ainda mais precisas para a tecnologia semiautomática de fora de jogo, ajudarão a tornar as transmissões televisivas e nos estádios mais próximas do adepto.
Golo de Kai Havertz anulado com recurso à tecnologia semiautomática de fora de jogo, durante o Mundial do Catar, em 2022
Claudio Villa
A tecnologia já foi testada na Taça Intercontinental, em dezembro, durante o jogo entre o Flamengo e o Pyramids, com resultados satisfatórios e que convenceram a FIFA. Gianni Infantino, na sua tão empenhada e pessoal empreitada de expôr o próximo Mundial como a melhor coisa alguma vez feita, sublinhou, durante a apresentação das novidades tecnológicas para a competição, na quarta-feira, em Las Vegas, que este particular avanço é “uma grande evolução do fora de jogo semiautomático, que vai oferecer grandes imagens, decisões mais rápidas e um maior entendimento por parte de todos os adeptos”.
Mais novidades
As novidades, apresentadas em conjunto com tecnológica chinesa Lenovo, parceira oficial da FIFA, não se ficaram pelo afinar do fora de jogo semiautomático. As bodycams dos árbitros, que fizeram a estreia oficial no Mundial de Clubes do último verão e que foram recentemente adotadas na Taça de Portugal, terão uma versão melhorada, com imagens mais estáveis, tudo com a ajuda da inteligência artificial.
A IA dará também uma importante mão na compilação de dados, dando acesso às 48 equipas em competição ao Football AI Pro, um software de análise que contém “centenas de milhões de dados propriedade da FIFA”, que permitirão criar observações em “texto, vídeo, gráficos e visualizações em 3D”. Estes podem ser usados antes e depois dos jogos, mas não durante os mesmos.