Donald Trump não ficará muito arreliado, afinal, da última vez que falou sobre o Irão e a sua presença no Campeonato do Mundo de futebol, onde um dos três anfitriões são os EUA e para lá estão precisamente marcados os jogos da seleção asiática, disse: “Realmente, não me importa.” Acreditando no seu “I really don’t care” então não quererá saber do que Ahmad Doyanmali, ministro do desporto iraniano, defendeu esta quarta-feira, referindo-se indiretamente ao presidente norte-americano.
“Dado que este governo corrupto assassinou o nosso líder, não há condições para podermos participar no Mundial”, concluiu o governante de Teerão, mencionando a morte do aiatola Ali Khamenei em entrevista à “DPA”, agência de notícias alemã. “Impuseram-nos duas guerras em oito ou nove meses e vários milhares dos nossos cidadãos foram assassinados”, insistiu, “portanto, não temos nenhuma possibilidade de participar desta maneira”. A informação ainda carece de confirmação oficial, seja da parte da Federação Iraniana de Futebol ou da FIFA.
A declaração Ahmad Doyanmali veio poucas horas mais tarde de Gianni Infantino emendar o dito por Donald Trump, ao dar conta de uma reunião com o presidente norte-americano. “Reiterou que a seleção iraniana é, obviamente, bem-vinda para competir no Mundial”, indicou o líder da FIFA, regressado de fresco de uma conversa com quem tem escritório na Sala Oval da Casa Branca, sem que alguma reiteração tenha chegado da boca de Trump.
“As nossas crianças não estão seguras“, acrescentou o ministro do desporto do Irão. Caso o país confirme a sua desistência do torneio, a FIFA pode multar a federação iraniana segundo as regras que definiu para o Mundial, nas quais nada ficou estipulado quanto à possibilidade de uma nação estar em guerra com outra. Ainda menos para a situação em questão: o país anfitrião ter bombardeado outro.
É sabido e repetidamente visto como Gianni Infantino nutre uma relação próxima com o presidente norte-americano, ao ser um visitante assíduo da Casa Branca, ter criado um Prémio da Paz da FIFA para o entregar ao “amigo“, como lhe chama Donald Trump, e ter passado o escritório da entidade que rege o futebol mundial para a Trump Tower, edifício auto-explicativo em Nova Iorque.
Na semana passada, Infantino desejou que o Mundial seja “um momento de paz“. Por culpa de uma guerra começada por quem terá por amigo, os sinais apontam cada vez mais para a competição estar prestes a perder uma equipa.
Tem alguma questão? Envie um email ao jornalista: dpombo@expresso.impresa.pt